quarta-feira, 2 de outubro de 2019

The Fairest of the Seasons - Nico

Now that it's time
Now that the hour hand has landed at the end
Now that it's real
Now that the dreams have given all they had to lend
I want to know do I stay or do I go
And maybe try another time
And do I really have a hand in my forgetting ?

Now that I've tried
Now that I've finally found that this is not the way
Now that I turn
Now that I feel it's time to spend the night away
I want to know do I stay or do I go
And maybe finally split the rhyme
And do I really understand the undernetting?

[Chorus]
Yes and the morning has me
Looking in your eyes
And seeing mine warning me
To read the signs carefully

Now that it's light
Now that the candle's falling smaller in my mind

Now that it's here
Now that I'm almost not so very far behind
I want to know do I stay or do I go
And maybe follow another sign
And do I really have a song that I can ride on?

Now that I can
Now that it's easy, ever easy all around
Now that I'm here
Now that I'm falling to the sunlights and a song
I want to know do I stay or do I go
And do I have to do just one
And can I choose again if I should lose the reason?

Yes, and the morning
Has me looking in your eyes
And seeing mine warning me
To read the signs more carefully

Now that I smile
Now that I'm laughing even deeper inside
Now that I see
Now that I finally found the one thing I denied
It's now I know do I stay or do I go
And it is finally I decide
That I'll be leaving
In the fairest of the seasons

quarta-feira, 6 de março de 2019

Superstar

Loneliness is such a sad affair
And I can hardly wait to be with you again
What to say to make you come again?
Come back to me again and play your sad guitar

segunda-feira, 24 de dezembro de 2018

esquina

Uma esquina
e o bar que já serviu
copos de cerveja, plural,
hoje serve um, singular.

Mas é celebração
e não lamento.
À saúde da mulher
que hoje se sustenta.

E é a mim que recorro
no refresco da alma
e do corpo só
e inteiro.

sábado, 22 de dezembro de 2018

Cadeiras vazias

Nossa mesa estava vazia e nos meus ouvidos os fones pendurados
no som que trazia de volta o cheiro de março, o verão à noite.

Caminhar por essa calçada é misto de desejo e saudade
e a trilha é extensa entre sorrisos, engasgo e lágrimas.

Hoje, no entanto, as lágrimas são de graça e não de dor,
dor que arranquei com a força dos dedos desiludidos e acordados.

E continuo em verso lavando o resto que sobrou da miséria de um amor perdido.

às muitas vistas

Sonhei que tinha mandado uma música do Chico César para você.
E você chorou quando ouviu.
Eu via tudo,
como onipotente e onipresente em sonho.
Uma deusa do meu próprio destino.
Uma menina nas mãos decisivas dos caminhos trilhados por mim.

Era simples
e corajoso.
Era um resumo de mim
e de quando caminhou ligeiro (e fugidio) ao meu lado.
Era sonho,
mas era memória também.

E acordei para dedilhar no piano as notas adormecidas no peito.
Era eu, mais do que você. Mas você também estava lá.


domingo, 16 de dezembro de 2018

Expurgo

       Foram três palavras lidas e uma descarga elétrica despejada no topo da sua cabeça. Não sabia nem como e nem o porquê de ter parado ali, novamente com o risco, agora comprovado, de sofrer com a imagem de sua mentira. As três palavras não machucavam tanto quanto a dor da perda da propriedade delas. Não eram mais suas. Não eram mais.

      A luz em volta de si foi se apagando enquanto passava a mão direita no estômago dolorido, ardente. Suas unhas cavucavam e a ardência parecia aumentar. Sangue, carne e o dedos a perfurar a pele. Coçava de vazio, coçava de ausência. Recostou no travesseiro sua cabeça pesada e ainda eletrizada pelas três palavras desprovidas de seu corpo. Ou seu corpo desprovido delas.

     Sua mão já apalpava algo quente, úmido e palpitante no centro de sua barriga. Segurava-o fortemente, acariciava-o e retirava-o de dentro de si. A incisão que fizera foi o caminho para a salvação.

      Foi até o banheiro e com uma toalha limpou o sangue, lavou a barriga. Pegou gaze na gaveta, passou algodão com iodo e fechou com esparadrapo. O curativo superficial não era uma preocupação. Seu ventre se recompunha rápido. As células de carne e de pele se multiplicavam a cada passada de algodão. Seu corpo se acalmava e as três palavras não coçavam mais no centro de seu ventre. 

        Retomava posse, oferecendo-se para si.

       Trocou os lençóis da cama, arrastou os móveis e o ar chegava agora em seus cantos escondidos. Fez um café e sentou-se de frente para a vista do céu. Aquela dor não era mais sua. A dor, desapossada, destituída, desabrigada, fora jogada pela janela e sua redenção vinha de dentro daquela mulher.

     Voltava a ser senhora de si. Voltava a ser um corpo completo, uma mulher com outras tantas acomodadas em seu peito. Todas pela reconstrução do caminho labiríntico que levava até o seu coração.

segunda-feira, 26 de novembro de 2018

Promessas

De amor:
um violão,
a viagem,
algum tostão.

De presença:
permanência,
as estrelas,
o pão.

De verdade,
um museu,
os planetas,
sua mão.

De perto
um olhar
não sustenta
a paixão.

segunda-feira, 15 de outubro de 2018

Catarse com Nick Cave

Shoot me down me arrancou todas as lágrimas que eu não imaginei que estavam no peito. E nossa, como havia lágrima ainda!

Into my arms começou com olhos molhados e meu corpo todo se acalmando. 'But I believe in love' e uau! como eu acredito no amor. E como eu acredito em mim e nas possibilidades da vida. E pensei que eu tenho medo, mas sou corajosa demais por tudo o que tem acontecido e por não me esconder, não desviar mais o olhar. E bateu uma vontade louca da vida, sabe? Eu sorri e pensei que esse lugar que foi ocupado recentemente, abruptamente e intensamente no meu coração precisa ser curado, mas tudo bem. Tudo bem eu ter ficado mal, tudo bem eu ter sofrido, mas agora a vida está toda aí para mim e tem acontecido muita coisa boa. 

Eu chorei mais por mim do que por ele. Eu chorei por ter acreditado no que a gente tinha e isso é bom, não é ruim. Eu chorei essas noites todas porque estou aprendendo a viver comigo mesma. Tirei da cabeça a desconfiança do que foi sentido do outro lado dessa relação, mas confirmei a certeza de que para andar ao meu lado além de disposição tem que ter coragem. De se decepcionar, de chorar e de se doar.

E sentir saudade é ter sido honesta e inteira. E eu sou honesta com meus afetos, inteira nas minhas escolhas e certa dos caminhos todos até aqui. 


I believe in love and I know that you do too
And I believe in some kind of path that we can walk down, me and you
So keep your candle burning and make (his) journey bright and pure


quinta-feira, 20 de setembro de 2018

há poesia em são paulo

Loucura em goles de vinho
inebriando a tarde de segunda.

A corrida semi-fria
(e quase chuvosa)
para alcançar notas
e espremer lágrimas de deslumbramento.

E a sua mão segurando a minha, leve e querida.

Outro copo 
outro drink.
Bolas iluminadas
e uma vontade de dividir.

Levo uma flor
recebendo o abraço acolhedor do seu peito.

À meia-luz, vejo nos seus olhos os meus.

quarta-feira, 1 de agosto de 2018

Milton Nascimento e eu

Pena, que pena, que coisa bonita, diga
Qual a palavra que nunca foi dita, diga
Qualquer maneira de amor vale aquela / amar / à pena /
valerá

Eles partiram por outros assuntos, muitos
Mas no meu canto estarão sempre juntos, muito

Qualquer maneira que eu cante este canto
Qualquer maneira me vale cantar
Eles se amam de qualquer maneira, à vera
Eles se amam é prá vida inteira, à vera

Qualquer maneira de amor vale o canto
Qualquer maneira me vale cantar
Qualquer maneira de amor vale aquela
Qualquer maneira de amor valerá