Ela é bem resolvida, meio maluca mas bem resolvida. Acho que queria malucar por aí, mas se segura. Não se abala facilmente, controla-se, sabe lidar com rejeição, com sua auto-suficiência, com sua personalidade forte.
Ela é linda - bonita, interessante, simpática. Ela me acrescenta. Ela sabe o que dizer, mesmo que eu não esteja mais afim. Mesmo achando que eu possa ainda estar afim. Mesmo lembrando de seus peitos e sua bunda. Mesmo lembrando do sorriso dela. Mesmo dizendo. Ela ri. Ela sabe lidar comigo.
Eu...eu não sei bem o que quero. Talvez eu queira um pouco de tudo. Talvez por ela eu não abra mão de um pouco de tudo. Talvez ela também não abrisse mão de um pouco de tudo na vida tão cheia por um menino da balada. É isso que eu sou. Um cara da balada que ela beijou numa noite bêbada na São Paulo cinza.
Talvez eu prefira facilitar minha vida, simplificar. Talvez ela não queira se envolver. Talvez não precise. Talvez eu possa rir com ela e talvez ela possa não se importar muito com isso - comigo.
Eu não preciso pensar em nada disso. Mas ela me fez pensar. Fez com que eu pensasse na forma como lidamos um com o outro. Ela acha que eu sou amigo dela. Eu queria fazer outras coisas com ela. Eu acho que posso. Eu acho que talvez ela também queira fazer outras coisas comigo. Talvez não se importe.
quarta-feira, 5 de maio de 2010
terça-feira, 4 de maio de 2010
Brooklin
Eu vi meu sobrinho na calçada oposta e brequei. Meu pé afundava-se no acelerador e eu ia estourar o muro se não tivesse encontrado os olhos de Pedro do outro lado da rua. Eu ia dar um fim na loucura dolorida que apertava meu peito há 20 anos. Iria deixar entre o muro e o poste toda a obsessão, a doença chamada Carlos.
'Entra aqui' gritei a ele. Gritei implorando ajuda. Meus olhos devem ter assustado o garoto. Olhos vermelhos, inchados de tristeza, de incerteza, de amargura. Gritei pela minha vida, que já não era minha, que já escorria pelas minhas mãos, já doía a culpa da minha recente intenção.
Minha morte seria talvez uma forma de limpar tanta mágoa, humilhação. Apagaria de dentro de mim, que não existiria mais. Eu não seria mais nada do que um corpo preso entre a lataria daquele carro velho, acabado, enferrujado.
Dei a volta no quarteirão e a avenida para o minha casa. Voltava correndo no dia azul, aberto para o abraço da minha irmã, para o meu quarto sozinho, vazio. O verde que beirava meu caminho me levava para aquele dia no bar do centro, aquele dia que encontrei na boca daquele homem as palavras que esperei escutar e o olhar que esperei para me atirar.
Eu tinha acabado de fazer aniversário - 35 anos. Uma jovem, não tanto, mulher solteira. Uma mulher que já havia sido abandonada no altar, que já havia ouvido promessas para toda a vida e que agora bebia numa mesa de um bar, sozinha, comemorando a decepção de uma vida insatisfeita.
Tinha visto-o encostado no bar pedindo bebidas. Vagarosamente aproximava-se da minha mesa. 'Posso sentar com você?' 'Claro, por favor'. Retirei correndo minha pequena bolsa vermelha de cima da mesa derrubando meu copo de uísque. Desastre. 'Desculpa' 'Imagina, deixa eu te ajudar'. Enquanto nossas mãos secavam todo o meu desconserto eu suava e respirava forte, no ritmo da minha ansiedade.
Recusei suas mãos mas aceitei o presente de seus beijos. Um doce para equilibrar a acidez da idade 'avançada'. Fiquei sentada no chevette velho com perfume de rosas olhando para o vazio do estacionamento. Algumas imagens pareciam-me mais brilhantes, mais nítidas e, se me permitem a pieguice, mais coloridas.
'Entra aqui' gritei a ele. Gritei implorando ajuda. Meus olhos devem ter assustado o garoto. Olhos vermelhos, inchados de tristeza, de incerteza, de amargura. Gritei pela minha vida, que já não era minha, que já escorria pelas minhas mãos, já doía a culpa da minha recente intenção.
Minha morte seria talvez uma forma de limpar tanta mágoa, humilhação. Apagaria de dentro de mim, que não existiria mais. Eu não seria mais nada do que um corpo preso entre a lataria daquele carro velho, acabado, enferrujado.
Dei a volta no quarteirão e a avenida para o minha casa. Voltava correndo no dia azul, aberto para o abraço da minha irmã, para o meu quarto sozinho, vazio. O verde que beirava meu caminho me levava para aquele dia no bar do centro, aquele dia que encontrei na boca daquele homem as palavras que esperei escutar e o olhar que esperei para me atirar.
Eu tinha acabado de fazer aniversário - 35 anos. Uma jovem, não tanto, mulher solteira. Uma mulher que já havia sido abandonada no altar, que já havia ouvido promessas para toda a vida e que agora bebia numa mesa de um bar, sozinha, comemorando a decepção de uma vida insatisfeita.
Tinha visto-o encostado no bar pedindo bebidas. Vagarosamente aproximava-se da minha mesa. 'Posso sentar com você?' 'Claro, por favor'. Retirei correndo minha pequena bolsa vermelha de cima da mesa derrubando meu copo de uísque. Desastre. 'Desculpa' 'Imagina, deixa eu te ajudar'. Enquanto nossas mãos secavam todo o meu desconserto eu suava e respirava forte, no ritmo da minha ansiedade.
Recusei suas mãos mas aceitei o presente de seus beijos. Um doce para equilibrar a acidez da idade 'avançada'. Fiquei sentada no chevette velho com perfume de rosas olhando para o vazio do estacionamento. Algumas imagens pareciam-me mais brilhantes, mais nítidas e, se me permitem a pieguice, mais coloridas.
segunda-feira, 3 de maio de 2010
Barra Funda
Pouco se ouvia e se via naquela casa azulada, aquelas paredes rabiscadas pelo tempo, desinfetadas pela chuva, lavadas pelo vento. Os tijolos aparentavam uma centena de anos descuidados, desprotegidos, usados.
Sabia-se que lá morava uma senhora com algo perto de setenta anos, pedia comida como se morassem dezenas de pessoas junto com ela. Seus olhos se escodiam no vão da porta para receber o saco de pão, os doces, bolos, chocolates, biscoitos, sucos e sempre uma outra coisinha, 'a vontade do dia', como diziam.
Era sempre agradável, sabia sobre os familiares dos entregadores, dava boas gorjetas, sorria e se trancava novamente entre as paredes que se seguravam nos muros vizinhos para não cair.
Seu dia não começava se antes não tomasse banho, pingasse gotículas de alfazema na ponta das orelhas, jogasse água para seus 7 gatos e sentasse na poltrana vermelha com uma grande caneca de café. O dia não começava direito se não ligasse para ouvir a voz da menina que agora era mulher. Sua vida não começava se ela não sentasse em frente à janela, olhasse para o céu entre as árvores e pensasse o quanto da vida largava para os vãos das portas e das cortinas semicerradas.
Alguns meninos do bairro achavam q ela era uma bruxa. Outros achavam que era louca. Muitos pensavam que ela vivia muito bem e que a deixassem em paz. Muitos outros, em bandos, esticavam os olhos para ver a mulher que era sempre o assunto do balcão da padaria. Uma que nunca viram. Tudo pelo mistério de ver quem não quer ser visto.
Ela vivia a esperar que a menina viesse visitá-la e comesse tanto dos bolos e doces e tomasse café e contasse da vida e reclamasse do trabalho, comentasse a roupa da moça na tv, pedisse para pregar um botão no seu casaco novo e lhe desse um beijo de boa noite-até.
Sabia-se que lá morava uma senhora com algo perto de setenta anos, pedia comida como se morassem dezenas de pessoas junto com ela. Seus olhos se escodiam no vão da porta para receber o saco de pão, os doces, bolos, chocolates, biscoitos, sucos e sempre uma outra coisinha, 'a vontade do dia', como diziam.
Era sempre agradável, sabia sobre os familiares dos entregadores, dava boas gorjetas, sorria e se trancava novamente entre as paredes que se seguravam nos muros vizinhos para não cair.
Seu dia não começava se antes não tomasse banho, pingasse gotículas de alfazema na ponta das orelhas, jogasse água para seus 7 gatos e sentasse na poltrana vermelha com uma grande caneca de café. O dia não começava direito se não ligasse para ouvir a voz da menina que agora era mulher. Sua vida não começava se ela não sentasse em frente à janela, olhasse para o céu entre as árvores e pensasse o quanto da vida largava para os vãos das portas e das cortinas semicerradas.
Alguns meninos do bairro achavam q ela era uma bruxa. Outros achavam que era louca. Muitos pensavam que ela vivia muito bem e que a deixassem em paz. Muitos outros, em bandos, esticavam os olhos para ver a mulher que era sempre o assunto do balcão da padaria. Uma que nunca viram. Tudo pelo mistério de ver quem não quer ser visto.
Ela vivia a esperar que a menina viesse visitá-la e comesse tanto dos bolos e doces e tomasse café e contasse da vida e reclamasse do trabalho, comentasse a roupa da moça na tv, pedisse para pregar um botão no seu casaco novo e lhe desse um beijo de boa noite-até.
sexta-feira, 30 de abril de 2010
Alone
Se olhar ao redor vai entrar em desespero.
Se esperar vai morrer de angústia.
A falta de um olhar, de compreensão, de uma resposta.
Refugia-se no passado e sua trilha sonora, suas palavras. Uma imagem para as mil palavras que correm em sua cabeça.
Corre para o mais fundo que pode ir em si mesma, único lugar que consegue entrar. Onde está a capacidade para encantar, para acalmar, para amar?
Em tão duro sofrimento, perde a luz e esconde-se na escuridão.
Se esperar vai morrer de angústia.
A falta de um olhar, de compreensão, de uma resposta.
Refugia-se no passado e sua trilha sonora, suas palavras. Uma imagem para as mil palavras que correm em sua cabeça.
Corre para o mais fundo que pode ir em si mesma, único lugar que consegue entrar. Onde está a capacidade para encantar, para acalmar, para amar?
Em tão duro sofrimento, perde a luz e esconde-se na escuridão.
quinta-feira, 29 de abril de 2010
Lua Cheia
Se você me pedisse para ficar, eu ficava para sempre!
O seu silêncio me atormenta. Invento com ele, por ele, desculpas diversas para um fim que eu temo chegar mas que, inconscientemente, me preparo. O seu silêncio me consome. Enlouquece.
E eu preciso tanto de palavras. Do vazio eu tive por muito tempo que tirar esperança, paciência. Hoje eu quero palavras que me acalmem, que me garantam que você está aqui, e que eu estou aí dentro do seu peito.
O seu silêncio me atormenta. Invento com ele, por ele, desculpas diversas para um fim que eu temo chegar mas que, inconscientemente, me preparo. O seu silêncio me consome. Enlouquece.
E eu preciso tanto de palavras. Do vazio eu tive por muito tempo que tirar esperança, paciência. Hoje eu quero palavras que me acalmem, que me garantam que você está aqui, e que eu estou aí dentro do seu peito.
Eu não sou Banana!
Todos os dias, às 16 horas, há alguns anos, independentemente da minha felicidade com meu empregador, eu tenho uma crise de ansiedade insuportável. Minha concetração se esvai, meu estômago dói, minha cabeça começa a pensar em milhões de coisas ao mesmo tempo, preocupações das mais bobas, saudade, irritação, muita irritação.
Qualquer tipo de 'problema' vira um dramalhão mexicano nesse horário. Eu começo a tarde pedindo desculpas pelo mal-estar de conversar com uma louca da tarde via instant messenger no lugar de uma bela do mesmo horário nobre.
São conversas sempre truncadas, nunca objetivas, sempre dão milhões de voltas e nunca chegam ao ponto que as originou. Se é insuportável para você, meu amigo, imagina para mim, que sei exatamente da minha loucura e não consigo controlá-la? Eu dou voltas no quarteirão, morro de vontade de fumar um cigarro, comer um chocolate, mas me controlo e acabo demonstrando minhas fraquezas e todo o desenvolvimento de minhas elucubrações a você, amigolino internético.
Eu tenho certeza que você também passa por situações como essa, mas guarda para você. O problema é que para mim, em qualquer conversa, qualquer contexto, durante esta hora da tarde, eu enlouqueço e vejo tudo quanto é detalhe insignificante com uma lupa enorme e potente e me apego às coisas mais imbecis, inventando impedimentos que estão escondidos lá dentro na parte burra do meu cérebro.
Esse momento também traz lembranças das mais devastadoras quando eu não tenho sorte, porque às vezes não cabe mais uma coisa para pensar e minha hora fica ocupada SÓ com esse quadro grotesco aí de cima.
Assim que dá 17h tudo isso acaba e eu morro de vergonha da minha crise de sinapses.
Agora, você me chamar de banana porque eu me preocupo com as pessoas, nessa hora mais porém menos racionalmente, é bastante incoerente. Depois de ler tudo isso, convém mudar de ideia! E dê uma olhada também no post 'Escorpiana Feelings' que dá para sacar muito da minha personlidade insana e intensa. Aí você vai tirar essa banana da boca, i'm sure!
Qualquer tipo de 'problema' vira um dramalhão mexicano nesse horário. Eu começo a tarde pedindo desculpas pelo mal-estar de conversar com uma louca da tarde via instant messenger no lugar de uma bela do mesmo horário nobre.
São conversas sempre truncadas, nunca objetivas, sempre dão milhões de voltas e nunca chegam ao ponto que as originou. Se é insuportável para você, meu amigo, imagina para mim, que sei exatamente da minha loucura e não consigo controlá-la? Eu dou voltas no quarteirão, morro de vontade de fumar um cigarro, comer um chocolate, mas me controlo e acabo demonstrando minhas fraquezas e todo o desenvolvimento de minhas elucubrações a você, amigolino internético.
Eu tenho certeza que você também passa por situações como essa, mas guarda para você. O problema é que para mim, em qualquer conversa, qualquer contexto, durante esta hora da tarde, eu enlouqueço e vejo tudo quanto é detalhe insignificante com uma lupa enorme e potente e me apego às coisas mais imbecis, inventando impedimentos que estão escondidos lá dentro na parte burra do meu cérebro.
Esse momento também traz lembranças das mais devastadoras quando eu não tenho sorte, porque às vezes não cabe mais uma coisa para pensar e minha hora fica ocupada SÓ com esse quadro grotesco aí de cima.
Assim que dá 17h tudo isso acaba e eu morro de vergonha da minha crise de sinapses.
Agora, você me chamar de banana porque eu me preocupo com as pessoas, nessa hora mais porém menos racionalmente, é bastante incoerente. Depois de ler tudo isso, convém mudar de ideia! E dê uma olhada também no post 'Escorpiana Feelings' que dá para sacar muito da minha personlidade insana e intensa. Aí você vai tirar essa banana da boca, i'm sure!
sexta-feira, 23 de abril de 2010
Medo
Sentia muito medo e nem sabia defini-lo. Nem sabia de quê porque nunca soube que era isso que sentia. Nunca ligou o nome a pessoa, sabe? Procurava sempre uma forma de encontrá-lo, de falar com ele, mas sua cabeça se arrepiava dependendo do tom de sua voz, da resposta online, da pergunta que fosse proferida depois do 'tudo bem e vc?'.
O formigamento começava na cabeça e pulava para o estômago. Como se estivesse acontecendo tudo ao mesmo tempo, mas fossem processos separados. Subia pelas pernas e ardia nos olhos. Doía. Doía bastante, mas era uma dor como que em cima do corpo, superficial, mas muito lá dentro, bem profunda. O corpo todo ficava quente, o rosto, o peito, extremamente esquisito. Doía tanto. Depois, como se tudo aquilo não coubesse dentro do corpo, explodia no rosto e escorria pelos olhos. Molhado.
Com uma dor forte no peito, parecia que o mundo todo ia cair em sua cabeça porque os ombros não aguentariam tamanho peso. Tudo desabaria daquilo que contruiu tão bem construidinho. Todos os pedaços do inteiro agora eram só pedaços e juntá-los demorava e pulsava em suas mãos. Não havia travesseiro que agarrasse que diminuiria a pressão que sentia no estômago.
Depois de doer e apertar, uma hora, que ela nunca lembrava quando, as coisas se apagavam, os olhos fechavam para secar e ela dormia.
O formigamento começava na cabeça e pulava para o estômago. Como se estivesse acontecendo tudo ao mesmo tempo, mas fossem processos separados. Subia pelas pernas e ardia nos olhos. Doía. Doía bastante, mas era uma dor como que em cima do corpo, superficial, mas muito lá dentro, bem profunda. O corpo todo ficava quente, o rosto, o peito, extremamente esquisito. Doía tanto. Depois, como se tudo aquilo não coubesse dentro do corpo, explodia no rosto e escorria pelos olhos. Molhado.
Com uma dor forte no peito, parecia que o mundo todo ia cair em sua cabeça porque os ombros não aguentariam tamanho peso. Tudo desabaria daquilo que contruiu tão bem construidinho. Todos os pedaços do inteiro agora eram só pedaços e juntá-los demorava e pulsava em suas mãos. Não havia travesseiro que agarrasse que diminuiria a pressão que sentia no estômago.
Depois de doer e apertar, uma hora, que ela nunca lembrava quando, as coisas se apagavam, os olhos fechavam para secar e ela dormia.
quinta-feira, 22 de abril de 2010
Escorpiana Feelings
Um dia as coisas ficam mais fáceis? Será que a gente reclama demais? O dia vai passar menos dolorido em breve? O trabalho vai ser mais bem reconhecido por mim e por quem interessa? Daqui uns anos essa insegurança dá espaço e me deixa respirar? Eu vou saber o que eu quero mesmo quando eu já tiver o que quero? Vou continuar precisando de aprovação até quando? O mundo vai começar a girar ao meu redor a partir de quando? Ou onde? O que eu disser vai ter algum valor a partir de quantos salários mínimos? Ou a partir de quantos fios de cabelo branco devidamente escondidos? Minha família vai sempre saber que eu amo todo mundo mesmo quando eu não concordo com o que eles dizem? Meu namorado vai um dia entender que eu sou escorpiana e não esqueço nunca? De nada! Meus irmãos um dia vão parar de brigar comigo e viveremos numa comunidade hippie com 7 filhos cada um? Minha mãe vai entender que minha angústia é só medo de rejeição? Minhas lágrimas vão parar de sair na hora errada? Meu estômago vai parar de doer de ansiedade quando eu conseguir o que eu nem o que anseio? Meus textos terão o tom que eu imagino quando estou pensando neles no ônibus? Vou conseguir deixar as ideias fluirem ao menos uma vez ao dia? (não é pedir muito) Vou ficar rica com meu próprio negócio soon? Quando vai ser menos difícil dizer que eu amo, que eu quero, que eu sinto ciúmes, que eu sou apaixanoda, que eu me jogo, que eu vivo intensamente senão não consigo, que a vida é uma só e eu levo isso muito a sério, que você é o amor da minha vida de verdade, com toda pieguice a que tenho direito? Quando vou parar de tremer com suas ligações noturnas, matutinas, vespertinas, para dizer bom dia, que me ama, que está lendo sobre futebol e que eu ia pirar com todo o Saussure que exite na sintaxe de um jogo? Quando vou entender que eu não preciso mais te esperar que você já faz parte de mim, que eu sou parte sua, mas que, definitivamente, e graças a deus, somos duas pessoas bem separadinhas? Quando o meu dia completa com você, quando minha vida faz sentido nos seus olhos e quando eu não tenho a menor vergonha de gritar para todo mundo o quanto eu sou sua!
quarta-feira, 31 de março de 2010
Starting over
Todas as vezes em que abri o blog nos últimos tempos, escrevi no máximo três linhas. Período difícil para organizar as ideias e transcrevê-las à minha maneira. Todas as vezes em que li o blog senti uma saudade imensa de quando meus dedos corriam pelo teclado tentando acompanhar a rapidez com que o texto formava-se na minha mente (bem como agora, quando a caneta insiste em dificultar o movimento. E é tão bom.). Chega a ser libertador de tão piegas.
Por esse longo tempo, a sensação que eu tinha era que escrever tinha sido uma fase e que eu já tinha secado de possibilidades, ou de oportunidades, como preferir. A minha tristeza era supor que, talvez, o meu maior desejo não mais pudesse se consumar. Não mais pudesse me satisfazer.
Eu, que sempre intui, erroneamente, que escrevia melhor na dor, dolorida me era impossível escoar. Culpava inclusive a mesma dor que me fora tão fértil por longo período da seca que corroia tudo o que poderia virar palavra dentro de mim.
Agora, com poucos dias de liberdade conquistada às custas de um ano bastante difícil e nada satisfatório, abro meu caderno de anotações com uma garrafa de cerveja à minha frente e preencho linhas e parágrafos de quase um desabafo, não fosse meio misterioso, explicando bem pouco a quem não me conhece o suficiente para ter um dia ouvido algumas de minhas lamúrias.
Eu me sinto de volta, como se tivesse passado uma temporada num curso de férias, aprendendo algo que me era bastante importante mas extremamente difícil. Como se eu tivesse morado fora do país e sido obrigada a criar uma identidade em outra língua e não tivesse me adaptado, como se tivesse incorporado uma entidade ou identidade no sentido umbandista do verbo.
Eu sei que não devemos comemorar antecipadamente, mas olha para cima e veja quantos paragráfos eu escrevi, ou senta comigo para tomar uma e veja que as olheiras hoje em dia são só de uma canseira feliz e de dever cumprido, e não de decepção e sentimento de incapacidade.
Eu estou de volta, meu bein!
Aguarde mais porque as ideias estão pipocando na minha cabeça.
Por esse longo tempo, a sensação que eu tinha era que escrever tinha sido uma fase e que eu já tinha secado de possibilidades, ou de oportunidades, como preferir. A minha tristeza era supor que, talvez, o meu maior desejo não mais pudesse se consumar. Não mais pudesse me satisfazer.
Eu, que sempre intui, erroneamente, que escrevia melhor na dor, dolorida me era impossível escoar. Culpava inclusive a mesma dor que me fora tão fértil por longo período da seca que corroia tudo o que poderia virar palavra dentro de mim.
Agora, com poucos dias de liberdade conquistada às custas de um ano bastante difícil e nada satisfatório, abro meu caderno de anotações com uma garrafa de cerveja à minha frente e preencho linhas e parágrafos de quase um desabafo, não fosse meio misterioso, explicando bem pouco a quem não me conhece o suficiente para ter um dia ouvido algumas de minhas lamúrias.
Eu me sinto de volta, como se tivesse passado uma temporada num curso de férias, aprendendo algo que me era bastante importante mas extremamente difícil. Como se eu tivesse morado fora do país e sido obrigada a criar uma identidade em outra língua e não tivesse me adaptado, como se tivesse incorporado uma entidade ou identidade no sentido umbandista do verbo.
Eu sei que não devemos comemorar antecipadamente, mas olha para cima e veja quantos paragráfos eu escrevi, ou senta comigo para tomar uma e veja que as olheiras hoje em dia são só de uma canseira feliz e de dever cumprido, e não de decepção e sentimento de incapacidade.
Eu estou de volta, meu bein!
Aguarde mais porque as ideias estão pipocando na minha cabeça.
sexta-feira, 5 de março de 2010
A Escrava Isaura
Projeto da Editora Ática de adaptação do romance brasileiro de Bernardo Guimarães com dicas de abordagem na sala de aula. Edição dedicada a alunos da sétima/oitava série.
Foi o melhor freela que eu fiz em todos os tempos. A maior delícia escrever sobre literatura, contexto histórico e movimento literário sem o pedantismo e conservadorismo acadêmico e com a liberdade criativa que me fez entrar no curso de Letras.
Segue e aguardo mais sugestões e críticas. Se houver algum leitor que seja professor e que teste essas dicas, mande o feedback, por favor.
Faz parte do conceito Romântico o desejo de se diferenciar. Assim, não é permitido chamá-lo de Escola Literária, mas um movimento literário que apresenta constante ruptura, instabilidade e mobilidade. O crítico alemão romântico Friedrich Schlegel definia literatura em geral como poesia e como uma universal progressiva: em mudança permanente, onde nada lhe é alheio e a literatura é uma revolução que preza a contradição, fundamentalmente. Tradição da ruptura. O Romantismo é, então, um movimento que agrupou ideais políticos, artísticos e filosóficos e se caracterizou por uma visão de mundo contrária ao racionalismo neoclássico. Suas principais características como movimento artístico são: ter como principal preocupação a centralização do indivíduo, a partir do qual se geram reflexões e para o qual essas se voltam, marcando a produção pela subjetividade; a linguagem retórica, que é o veículo e o obstáculo da expressão das emoções do eu, já que a língua é vista como instituição social, um recorte da realidade que pode ou não exprimir o que o autor deseja ('Quando a alma fala já não fala a alma.', Mário de Andrade); e o sentimentalismo exacerbado, apresentando como temas principais os sentimento intensos, como amor e a saudade, por exemplo.
O amor romântico é aquele que visa o reconhecimento da infinitude da subejtividade do sujeito pelo outro, não demandando, porém, este reconhecimento por imposição, mas pelo abandono de si no outro, tomando consciência de si pela consciência do outro. Esse é o amor totalizante a que o Romantismo dedica tantas páginas e versos, com o abandono irrevogável e por meio de uma curiosidade infinita. O amor é a religião profana do sentimento. Assim, Bernardo Guimarães não podia escolher outro sentimento para expor a contradição existente na obra - escravidão X liberdade - senão por meio do amor. O único refúgio de liberdade de Isaura é o seu amor e, portanto, é por causa dele que ela passa por diversas privações ao longo de todo o romance.
Bernardo Guimarães, que nasceu em Ouro Preto, Minas Gerais, em 10 de março de 1825, formou-se em Direito pela Universidade de Direito de São Paulo, 1847, cidade na qual conheceu e tornou-se amigo dos poetas com os quais fundaria a Sociedade Epicureia, Álvares de Azevedo e Aureliano Lessa. Segundo o crítico literário Antonio Candido, a sociedade foi um "ponto de encontro entre a literatura e a vida, onde os jovens procuravam dar realidade às imaginações românticas". O nome foi inspirado em Epícuro, filósofo grego que defende em sua obra o gozo dos bens materiais e espirituais do mundo com ponderação e medida. Seus opositores, principalemte religiosos, que lutavam contra o materialismo, desvirtuaram sua doutrina, e Epicurismo tornou-se sinônimo de busca exclusivamente material e prazeres terrenos, conotação (e prática, segundo relatos não muito confiáveis do povo de sua época) que foi usada pelo grupo de Guimarães. O que se sabe do grupo, realmente, é que foi por meio dele que se consolidou, no século XIX, em São Paulo, uma intensa produção literária estudantil, garantindo a homenagem do Patronato da Cadeira 5 da Academia Brasileira de Letras ao autor de 'A Escrava Isaura'.
O Romantismo é o momento da consolidação da hegemonia burguesa e a consequente constituição do Estado através de sua independência, pois buscou na paixão nacionalista uma forma de consolidar os estados nacionais na Europa. No Brasil, o Romantismo encontra amparo político na figura de Dom Pedro II, político louvado por sua postura em favor da educação e cultura, fim da escravidão e sua atitude diplomática e, em alguns casos, próxima para com personalidades do mundo todo. ''Não conheço missão maior e mais nobre que a de dirigir as inteligências jovens e preparar os homens do futuro.' Frase atribuída ao imperador que demostra sua preocupação em relação às ciências e seus pensadores.
A economia do segundo império baseava-se principalmente na agricultura, tornando o café o principal produto exportador do Brasil durante o reinado de Pedro II, substituindo a cana-de-açúcar, fazendo com que a economia crescesse consideravelmente. Estruturada na monocultura, a economia prosperou quando produziu mercadorias de grande aceitação na Europa sem muitos concorrentes, primeiro com a cana e agora com o café. Centralizada principalmente no Sudeste, a cultura do café forneceu uma sólida base aos grandes proprietários da região. A mãe-de-obra escassa acelerou o processo abolicionista e atraiu milhares de imigrantes para trabalho na lavoura, que, além dos braços, trouxeram a experiência das fábricas, impulsionando a economia industrial no país.
O processo do fim da escravidão no Brasil deu-se a partir da primeira metade do século XIX, quando a Inglaterra passou a contestar o tráfico de escravos, o que prejudicava seu objetivo de ampliação do mercado consumidor ao redor do mundo. Assim, criou a Lei Bill Aberdeen em 1845, proibindo o tráfico e dando poder à Inglaterra para abordar e aprisionar quem ainda praticasse, agora, o ato ilegal. Com o apoio de D. Pedro II pelo fim da escravidão, em 1850, O Brasil criou a Lei Eusébio de Queiróz, acabando com o tráfico negreiro no país. A partir daí, as leis que foram instituidas visavam libertar os escravos considerados mais fracos, como a Lei do Ventre Livre, que garatia a liberdade aos filhos de escravos nascidos a partir de sua instituição, e a Lei do Sexagenário, promulgada em 1885, que garantia a liberdade dos, poucos e raros, escravos com mais de sessenta anos. Até que, no final do mesmo século, a escravidão foi proibida mundialmente e, em 13 de maio de 1888, a Princesa Isabel assinou a Lei Áurea.
Apesar do tema do romance ser a história de uma escrava e de ter sido escrito e publicado no período abolicionista, e apesar da inserção de frases abolicionistas na fala de alguns personagens, como Álvaro e seus amigos, o livro não se alonga muito na descrição do sofrimento causado pelo regime escravocrata, não sendo um romance que pretende denunciar as violências do regime. Sua preocupação está em contar a história de uma escrava virtuosa e seu senhor cruel, criando empatia entre a personagem e o leitor. A aparência da escrava denuncia a forte influência romântica europeia de Guimarães e sua preocupação em corresponder às expectativas do público leitor da época, mulheres da sociedade apreciadoras de histórias de amor, distanciando-se da seriedade de uma denúncia. Sua beleza branca e pura causou críticas severas acerca de seu posicionamento sobre o assunto, porém, condizia com o ideal de beleza de então.
Foi o melhor freela que eu fiz em todos os tempos. A maior delícia escrever sobre literatura, contexto histórico e movimento literário sem o pedantismo e conservadorismo acadêmico e com a liberdade criativa que me fez entrar no curso de Letras.
Segue e aguardo mais sugestões e críticas. Se houver algum leitor que seja professor e que teste essas dicas, mande o feedback, por favor.
Faz parte do conceito Romântico o desejo de se diferenciar. Assim, não é permitido chamá-lo de Escola Literária, mas um movimento literário que apresenta constante ruptura, instabilidade e mobilidade. O crítico alemão romântico Friedrich Schlegel definia literatura em geral como poesia e como uma universal progressiva: em mudança permanente, onde nada lhe é alheio e a literatura é uma revolução que preza a contradição, fundamentalmente. Tradição da ruptura. O Romantismo é, então, um movimento que agrupou ideais políticos, artísticos e filosóficos e se caracterizou por uma visão de mundo contrária ao racionalismo neoclássico. Suas principais características como movimento artístico são: ter como principal preocupação a centralização do indivíduo, a partir do qual se geram reflexões e para o qual essas se voltam, marcando a produção pela subjetividade; a linguagem retórica, que é o veículo e o obstáculo da expressão das emoções do eu, já que a língua é vista como instituição social, um recorte da realidade que pode ou não exprimir o que o autor deseja ('Quando a alma fala já não fala a alma.', Mário de Andrade); e o sentimentalismo exacerbado, apresentando como temas principais os sentimento intensos, como amor e a saudade, por exemplo.
O amor romântico é aquele que visa o reconhecimento da infinitude da subejtividade do sujeito pelo outro, não demandando, porém, este reconhecimento por imposição, mas pelo abandono de si no outro, tomando consciência de si pela consciência do outro. Esse é o amor totalizante a que o Romantismo dedica tantas páginas e versos, com o abandono irrevogável e por meio de uma curiosidade infinita. O amor é a religião profana do sentimento. Assim, Bernardo Guimarães não podia escolher outro sentimento para expor a contradição existente na obra - escravidão X liberdade - senão por meio do amor. O único refúgio de liberdade de Isaura é o seu amor e, portanto, é por causa dele que ela passa por diversas privações ao longo de todo o romance.
Bernardo Guimarães, que nasceu em Ouro Preto, Minas Gerais, em 10 de março de 1825, formou-se em Direito pela Universidade de Direito de São Paulo, 1847, cidade na qual conheceu e tornou-se amigo dos poetas com os quais fundaria a Sociedade Epicureia, Álvares de Azevedo e Aureliano Lessa. Segundo o crítico literário Antonio Candido, a sociedade foi um "ponto de encontro entre a literatura e a vida, onde os jovens procuravam dar realidade às imaginações românticas". O nome foi inspirado em Epícuro, filósofo grego que defende em sua obra o gozo dos bens materiais e espirituais do mundo com ponderação e medida. Seus opositores, principalemte religiosos, que lutavam contra o materialismo, desvirtuaram sua doutrina, e Epicurismo tornou-se sinônimo de busca exclusivamente material e prazeres terrenos, conotação (e prática, segundo relatos não muito confiáveis do povo de sua época) que foi usada pelo grupo de Guimarães. O que se sabe do grupo, realmente, é que foi por meio dele que se consolidou, no século XIX, em São Paulo, uma intensa produção literária estudantil, garantindo a homenagem do Patronato da Cadeira 5 da Academia Brasileira de Letras ao autor de 'A Escrava Isaura'.
O Romantismo é o momento da consolidação da hegemonia burguesa e a consequente constituição do Estado através de sua independência, pois buscou na paixão nacionalista uma forma de consolidar os estados nacionais na Europa. No Brasil, o Romantismo encontra amparo político na figura de Dom Pedro II, político louvado por sua postura em favor da educação e cultura, fim da escravidão e sua atitude diplomática e, em alguns casos, próxima para com personalidades do mundo todo. ''Não conheço missão maior e mais nobre que a de dirigir as inteligências jovens e preparar os homens do futuro.' Frase atribuída ao imperador que demostra sua preocupação em relação às ciências e seus pensadores.
A economia do segundo império baseava-se principalmente na agricultura, tornando o café o principal produto exportador do Brasil durante o reinado de Pedro II, substituindo a cana-de-açúcar, fazendo com que a economia crescesse consideravelmente. Estruturada na monocultura, a economia prosperou quando produziu mercadorias de grande aceitação na Europa sem muitos concorrentes, primeiro com a cana e agora com o café. Centralizada principalmente no Sudeste, a cultura do café forneceu uma sólida base aos grandes proprietários da região. A mãe-de-obra escassa acelerou o processo abolicionista e atraiu milhares de imigrantes para trabalho na lavoura, que, além dos braços, trouxeram a experiência das fábricas, impulsionando a economia industrial no país.
O processo do fim da escravidão no Brasil deu-se a partir da primeira metade do século XIX, quando a Inglaterra passou a contestar o tráfico de escravos, o que prejudicava seu objetivo de ampliação do mercado consumidor ao redor do mundo. Assim, criou a Lei Bill Aberdeen em 1845, proibindo o tráfico e dando poder à Inglaterra para abordar e aprisionar quem ainda praticasse, agora, o ato ilegal. Com o apoio de D. Pedro II pelo fim da escravidão, em 1850, O Brasil criou a Lei Eusébio de Queiróz, acabando com o tráfico negreiro no país. A partir daí, as leis que foram instituidas visavam libertar os escravos considerados mais fracos, como a Lei do Ventre Livre, que garatia a liberdade aos filhos de escravos nascidos a partir de sua instituição, e a Lei do Sexagenário, promulgada em 1885, que garantia a liberdade dos, poucos e raros, escravos com mais de sessenta anos. Até que, no final do mesmo século, a escravidão foi proibida mundialmente e, em 13 de maio de 1888, a Princesa Isabel assinou a Lei Áurea.
Apesar do tema do romance ser a história de uma escrava e de ter sido escrito e publicado no período abolicionista, e apesar da inserção de frases abolicionistas na fala de alguns personagens, como Álvaro e seus amigos, o livro não se alonga muito na descrição do sofrimento causado pelo regime escravocrata, não sendo um romance que pretende denunciar as violências do regime. Sua preocupação está em contar a história de uma escrava virtuosa e seu senhor cruel, criando empatia entre a personagem e o leitor. A aparência da escrava denuncia a forte influência romântica europeia de Guimarães e sua preocupação em corresponder às expectativas do público leitor da época, mulheres da sociedade apreciadoras de histórias de amor, distanciando-se da seriedade de uma denúncia. Sua beleza branca e pura causou críticas severas acerca de seu posicionamento sobre o assunto, porém, condizia com o ideal de beleza de então.
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