quinta-feira, 29 de setembro de 2011

Saudade, intensidade e eu

Talvez seja o momento da minha vida, não me pergunte o porquê, mas tudo tem me dado saudade. Inclusive coisas e pessoas com as quais convivo. Mas parece que estou suspensa numa outra realidade que não aquela de que sinto saudade. Parece uma coisa meio romântica essa de achar sempre o que já foi maravilhoso em detrimento daquilo que se vive hoje, mas talvez sem esse detrimento. Eu não acho minha vida menos legal do que esta outra que vive a me visitar em lembranças. Talvez seja um movimento normal de quem vai ficando mais velho. Talvez seja natural sentir saudade de algo ou alguém que nos fez feliz.

O que me intriga é: eu não consigo me lembrar da melancolia que me acompanhava nesses dias saudosos. Mas eu sei muito bem que existia isso e mais um pouco de amargura, em certo sentido. Existia também uma sensação constante de solidão, por mais gente que houvesse around. Havia uma vontade enorme de amar, coisa que eu fazia e me apaixonava a cada dia, semana, mês. Mantinha uma outra paixão mais séria embaixo de todo esse suposto desprendimento. E brincava de ser uma ameba, coisa que estava sempre bem distante de ser. Porque apesar do superficial bem-estar e do comportamento sempre meio blasé, eu chorava debaixo do meu edredon antes de dormir.

E assim, de lembrança em lembrança, eu vou constatando que até aqui eu fiz tudo certinho. As cagadas também. Porque quando eu caguei, meu bem, também foi muito bem cagado. E por mais que ainda sai fazendo muita besteira, abraço as experiências e as vivo plenamente. Sorrindo ou chorando.

E mais uma vez, o texto do Contardo de hoje fala exatamente sobre isso, sobre essa a possibilidade rica de viver intensamente tanto a felicidade quanto a tristeza (e no caso do texto, o luto, a falta). E só para concluir, insiro somente uma frase do texto, que você pode ler aqui: 'Meu ideal não é a felicidade, mas a variedade e a intensidade das experiências, sejam alegres ou penosas'.

4 comentários:

Thá Jong disse...

Má,
bom eu sabia que boa coisa não ia sobrar pra gente desde da 4ª série. É um tapa de leve no meu coração que sempre viu nesses olhos e nessa inteligência o prazer em sua escrita e em suas palavras. Eu tenho orgulho de dizer que te conheço e o prazer imenso de ler palavras que Deus me deu de presente ainda tão nova! Espero que eu esteja autorizada a usá-las quando achar pertinente, por acaso esse texto é bastante. Mil beijos querida! Thais Jong

Mari Migliacci disse...

Lindo, queridona!
A gente nunca se perdeu...sempre deu um jeito de se encontrar. Eu amo você!

Anônimo disse...

Descobri seu Blog por caso. Fazia uma pesquisa na rede e acabei achando essa jóia!
Sua palavras me parecem sempre tão pontuais. Seus textos parecem por muitas vezes, falar direto ao leitor! Você talvez tenha o dom de sentir o Mundo...
Nesses últimos dias tenho sentido saudade de tudo também, do que vivi, do que não vivi e até do que viverei...
Estranho isso né?! As vezes machuca, as vezes conforta...O Mundo roda, e roda e o tempo vai passando...

Mari Migliacci disse...

Querido leitor anônimo,
muito obrigada pelo comentário e pelas belas palavras deixadas aqui nesta página. Fique à vontade para visitar o clube quando quiser e dizer o que achou dos textos.

Muito obrigada!

Beijos