quinta-feira, 3 de dezembro de 2009

Leila Lopes ultrapassou o Limite da Morte

O sol está lindo e azul neste 'verão' primaveril para receber LeiLo no céu, já que ela tinha certeza que ia para lá quando fosse resolvido que era essa a hora dela!

A professorinha deixará saudades nas estradas entre rio, são paulo e porto alegre, por onde ela dirigia muito bem!

Fica aí minha homenagem!

quarta-feira, 30 de setembro de 2009

Redação de Escola

Sou Marina mas não das muito morenas. Mesmo assim, Caymmi aterrorizou meus dias pueris quando meu pai colocava durante tardes de domingo no meio de tanta música sua 'Marina Morena'. Deitava-me no chão da sala e dava uma vontade imensa de chorar. O pânico que eu tinha de ser o centro das atenções e de deixar de sê-lo tudo assim ao mesmo tempo me levava à loucura. Até que eu cresci e me apaixonei por ele, pelo Caymmi, e a música que me atordoava traz na letra uma homenagem torta e um sabor de saudade.

Eu cresci em muitos lugares, não tenho, portanto, o pedaço da minha infância em portões brancos e jardim com balanço e anões. Meus primeiros anos passei em uma casa numa rua que está na terceira margem do rio, sendo a primeira o mundo urbano e individualista das cidades, e a segunda, idealizada, o interior e sua vida arborizada, calma, silenciosa. Poucas crianças corriam nessa Cunha Gonçalves, e meus dois irmãos e eu decidimos inventar pessoas, lugares, brincadeiras e aventuras.

Mas, com dez anos ou alguma idade próxima a isso, mudamos-nos todos para o símbolo máximo da grande cidade, o condomínio fechado, e o mundo criado lá dentro era sedutor. Foram poucos anos morando no nono andar mas inesquecíveis pela quantidade inimaginável de pequenas histórias que eu carrego.

A crise chegou bastante previamente na família e fomos respirar novos ares pelos lados baianos do território brasileiro. Fizemos o caminho contrário. Morar em Salvador não foi um carnaval sem fim. Eu era uma completa estrangeira. Estado quente com um estado de espírito não muito condizente com seu clima, contrariando a impressão geral da nação. Porém, apesar de trazer a dor da adaptação acabou por se tornar quase um símbolo de resistência familiar.

Voltamos depois de um ano descansados e com desejo de metrópole. Os anos que se seguiram ensinaram o valor, alto, do dinheiro. Ensinaram com dificuldade que a cidade também consegue ser dura, má, injusta. Perdi minha fé nos universais e agarrei-me na verdade de cada interpretação.

As letras surgiram para mim como uma forma de ler para aprender a escrever. Era isso o que eu queria quando comecei a estudar os grandes. Porém, os grandes intimidam, podam e envergonham as linhas que guardo em cantos obscuros de arquivos digitais, até se tomar coragem para publicar a primeira linha. Depois da primeira linha, defenestrei tecnologicamente o tanto que pude para manter o contato com os olhos que me liam, com a cabeça que compreendia, que interpretava, com o coração que me ouvia.

Senti que podia atirar-me, desgarrada, infame, desprotegida. Atirar-me aos braços do amigo, do inimigo, do sorriso, da lágrima. Atirar-me ao riso, à dor, ao sofrimento. Apostei no infinito, libertei-me do insuportável, desagradável, do desconforto, do desaconchego. Escrever me levou à liberdade, à esperança, ao sonho. Atirei meus textos em páginas em branco. Minhas ideias desconexas e confusas ao acaso. Minhas histórias pela janela. Defenestrei-me, e assim o fiz com minhas elucubrações, minhas paixões, meus desejos.

Ironicamente, ou não, sou revisora, sou a leitora de quem todos fogem, a quem todos temem. Eu leio as palavras dos outros. E ficou um buraco com toda essa vontade, todo esse amor. Revisar é muito pouco para o que eu quero com as palavras. Minha ideia romântica traz as palavras para a ponta dos meus dedos e não para o polo extremo do meu nariz. Concluo o curso das letras este ano, e em 2010 inicio a prática de tudo o que venho teorizando, aprendendo. A língua portuguesa me está na ponta dos dedos. Sonho que ela, então, afiada na língua, desenhe curvas vistosas e próprias, que corra para o lado que meus dedos decidirem. Viver de escrever e escrever para viver.

quinta-feira, 13 de agosto de 2009

Escrever

Desde sempre eu tenho a impressão que escrevo melhor quando estou mal, triste, desencantada. Esse blog mesmo surgiu num desses momentos. A infelicidade em comentários azedos me levou a fazer uma brincadeira que acabou ficando séria. Depois de milhões de foras aparentemente insignificantes e de uma angústia solitária, eu montei o clube, e o nome era para divir o espaço com todos que passavam pela mesma situação estarrecedora que eu.

O tempo passou, eu já contei essa história várias vezes, inclusive aqui, e agora percebo que ainda hoje eu preciso dessa angústia, desse sentimento de rejeição para escrever um punhado de parágrafos nesta página.

Ultimamente, essa angústia vem e vai. Uma culpa por todas as minhas atitudes, uma vontade de me esconder, e, depois, assim como veio, vai. Mas a sensibilidade extrema só tem me feito passar pelo sentimento sem aproveitá-lo para escrever, ao menos. E também me cansei das minhas histórias iguais, coisas mesmas sobre o mesmo.

Talvez eu devesse guardar isso para mim, mas ia ser desperdício não aproveitar essa meia dúzia de linhas que eu consegui escrever em tempos. E mais, estou escrevendo para mim mesma, com a chance de algum 'viajante' passar por aqui e deixar seu comentário.

quarta-feira, 15 de julho de 2009

Luiza sofria sem palavras. Escondia todas dentro de si mesma. Amarrava todas as letras de dores no seu peito, e chorava. Não encontrava prosa ou poesia que pudesse evacuar sua dor, sua angústia, seu grito de socorro. Não encontrava coragem para dizer tudo em voz alta, para declarar, pronunciar, advertir, opinar, libertar-se das cordas que a prendiam no exagero de emoções que pululavam no estômago. Amava com convicção. Fingia não odiar. Medo, isso ela sabia que tinha. De perder, de ganhar, de perdoar, de esquecer, de enfrentar. Enfiava-se nas madrugadas em busca de um pouco de vida e encontrava solidão e saudade.

Ela precisava de atenção. Muita. Sim, porque isso ela tinha de sobra e conseguia ao abrir o sorriso fácil, largo e simpático. Mas ela queria a todos os minutos. Não conseguia dizer compreensivelmente que precisava e magoava-se por ser mal interpretada. Sua auto-confiança fora afetada pela paixão. A mesma que a testara tão arduamente.

Frio e o desejo de fumar um cigarro. Ela não fumava e detestava o vício, o cheiro, a dança da fumaça quente entre os dentes. Detestava. E precisou se lembrar muitas vezes disso enquanto fumava só um para acalmar a ansiedade que a impedia de continuar sua conversa aflita com Carlos. Ele era mais novo do que ela. 5 anos. Media a distância entre eles pelas músicas que reconhecia e ele não. Ela não se importava. Suas músicas eram a forma mais simples, o caminho mais curto para alongar a conversa entre eles.

Suas músicas eram a única forma de manter suas atenções em Carlos. Ele não tinha nada que Pedro tinha e ela sabia disso a cada vez que Carlos tentava engraçar-lhe um punhado de parágrafos. Pulava linhas e corria superficialmente os olhos tirando proveito de um ou outro fragmento. Tentava ler novamente mas desistia assim que uma frase chegava ao ponto final.

O café frio ao lado do teclado, o cinzeiro já cheio dos inúmeros cigarros que desistira de resistir e a sujeira de sua encenação virtual. Despedia-se para lavar-se demoradamento no chuveiro. Deitada em sua cama, olharia ainda o teto por horas até que se perdesse em pensamentos outros que a fizessem fechar os olhos e abri- los somente quando fosse estritamente necessário.

terça-feira, 7 de julho de 2009

O trabalho enobrece (e individa) o homem

Eu tenho uma dívida há um bom tempo já. Fui levando para frente, odeio banco, queria evitar ao máximo o contato com essa instituição do demônio. Até sexta-feira passada - cobraram formalmente com a ameaça de mandá-lo para a outra instituição do demônio, o Serasa.

E aí, fodida, fodida e meia, vamos lá resolver, pagar o serviço que nunca utilizei e tirar isso da minha vida o mais rápido possível. Para piorar um bocado a minha situação, o tal banco, que prefiro nem mencionar o nome, fica na Vila Olímpia, a 'minha agência' fica naquele lixo de bairro. Lugar horroroso, fedido, confuso, bagunçado e perigoso.

Meu pai foi comigo para dar apoio moral, mesmo porque eu nem sabia o que dizer e estava mais propícia a sair quebrando tudo. Sabe banquinho?...é isso que aquilo é. Atendimento de merda, gente com cara de quem acabou de acordar e não lavou o rosto. A atendente me pediu vários minutinhos até me avisar que, como minha dívida já tinha ido para a cobrança eu tinha que ligar em outro departamento e ali não teria como resolver nada.

Atendimento telefônico. Milhões de minutinhos, por favor depois (são perguntas que todos que entram em contato com eles devem fazer e mesmo assim eles desaparecem na linha por minutos intermináveis para procurar a resposta) eu consegui descobrir um monte de bizarrices: a primeira delas é que você pode querer pagar, mas tem que ser do jeito deles. São eles que decidem se o valor é alto ou baixo para poder parcelar, por exemplo. A segunda bizarrice, a mais bizarra de todas: o boleto para pagamento pode ser retirado na agência ou vai direto para o meu e-mail (não, eles não mandam para sua casa, apesar de me mandarem milhões de correspondências por mês, e aí entraria a terceira bizarrice). Para eu poder pagar devo, então, retirar o boleto na agência ou imprimi-lo. No meu e-mail chega dentro de 48 horas (???????!!!!) e na agência, bom, eu estava estacionada na porta de uma, a minha ainda. Mas sabe, se eu entrar na agência no mesmo minuto que negocio o pagamento, pago a divída sem o 'descontão' que eles resolveram me dar, e se esperar as 48 horas sai tudo com desconto.

Eu me pergunto: Caralho, como assim? Se eu quero pagar hoje pago mais caro do que se pagar daqui 2 dias? Não é tudo informatizado? Não está tudo na porra do sistema que insiste em não funcionar quando eu estou precisando dele? Pois é. Daqui 48 horas eu imprimo o boleto e pago minha única dívida e me livro das eternas cartas que esse shitbank manda para mim.

Eu devia mandar a conta para meu ex-empregador! Eu só tenho essa conta, que NUNCA foi utilizada (nem senha dela eu tenho) por ter sido obrigada a abri-la para poder receber minha bolsa-estágio, que nunca foi depositada lá.

Um puta estágio esse que eu fiz. Além de aprender muita coisa por lá (verdade, aprendi mesmo...sem ironia aqui), conheci pessoas lindas e amadas até hoje eu ainda aprendi como se cobra, como se paga e como não se negocia.

Ahhhhh vá!

quinta-feira, 28 de maio de 2009

Foucault

Eu tomei a liberdade de copiar essa conferência do Foucault traduzida e transcrita de forma bela pelo querido Marcelo Coelho, outro que não perco nunca, às quartas-feiras, na Ilustrada, Folha de São Paulo. Aliás, para quem estiver em Campinas dia 19 de Junho, terá a oportunidade de participar de um café filosófico com ele num ciclo dedicado às utopias. Seu tema será a utopia do corpo perfeito.

Deem uma olhada na transcrição do Foucault e vejam se não é a coisa mais linda e coerente que vocês já leram!

Basta eu acordar, diz Foucault, que não posso escapar deste lugar, o meu corpo.

Posso me mexer, andar por aí, mas não posso me deslocar sem ele. Posso ir até o fim do mundo, posso me encolher debaixo das cobertas, mas o corpo sempre estará onde eu estou. Ele está aqui, irreparavelmente: não está nunca em outro lugar. Meu corpo é o contrário de uma utopia. Todos os dias, continua Foucault, eu me vejo no espelho: rosto magro, costas curvadas, olhos míopes, nenhum cabelo mais... Verdadeiramente, nada bonito. Meu corpo é uma jaula desagradável. É através de suas grades que eu vou falar, olhar, ser visto. É o lugar a que estou condenado sem recurso.

É possível que contra esse corpo tenham nascido todas as utopias, dele nasce a utopia original --a de um corpo incorporal: o país das fadas, dos elfos, dos gênios, onde as feridas se curam imediatamente, onde caímos de uma montanha sem nos machucar, onde podemos ficar invisíveis.

Há outra utopia dedicada a desfazer o corpo é o país dos mortos. A múmia é o corpo utópico que desafia o tempo. Há as pinturas e esculturas dos túmulos, que prolongam uma juventude que nunca vai passar, que será eterna. Meu corpo se torna sólido como uma coisa, e eterno como um deus.

A outra, a maior utopia criada contra o corpo é o grande mito da alma, que funciona maravilhosamente dentro do meu corpo, mas escapa dele. É bela, pura, branca, ao contrário do meu corpo. Durará para sempre. É meu corpo luminoso, purificado.

Assim, pela mágica dessas utopias, meu corpo pesado e feio desaparece magicamente. Recebo-o de volta fulgurante e perpétuo.

Mas meu corpo, nele mesmo, seus recursos próprios de fantástico. Tem lugares sem-lugar. Tem seus lugares obscuros e praias luminosas. Minha cabeça é uma estranha caverna, com duas aberturas, meus olhos. E, se as coisas entram na minha cabeça, ficam ao mesmo tempo fora delas.

Corpo incompreensível, penetrável e opaco, aberto e fechado: corpo utópico. Absolutamente visível --porque sei o que é ser visto e ver os outros. Mas esse corpo é também tomado por uma certa invisibilidade: minha nuca, por exemplo. Minhas costas: conheço seus movimentos, sua posição, mas não as vejo. Corpo que é um fantasma, que só posso ver pelo truque, pela miragem de um espelho.

Esse corpo não é uma coisa: anda, mexe, quer, se deixa atravessar sem resistências por minhas intenções. Só quando estou doente –dor de estômago, febre-- ele se torna coisa, opaca, independente de mim.

Não, o corpo não precisa de fadas e almas para ser utópico, visível e invisível, transparente e concreto. Para que eu seja utopia, preciso apenas ser... um corpo. As utopias não apagam o corpo: nasceram dele, para só depois, talvez, voltarem-se contra ele.

Uma coisa, entretanto, é certa: o corpo humano é o ator principal de todas as utopias. O sonho de um corpo imenso, o mito dos gigantes, de Prometeu, é uma utopia. O sonho de voar também.

O corpo é também ator utópico quando se pensa nas máscaras, na tatuagem, na maquiagem. Não se trata, aqui, propriamente, de adquirir um outro corpo, mais bonito ou reconhecível.

Trata-se de fazer o corpo entrar em comunicação com poderes secretos, forças invisíveis. Uma linguagem enigmática e sagrada se deposita sobre o corpo, chamando sobre ele o poder de um deus, a força surda do sagrado, a vivacidade do desejo. Fazem do corpo o fragmento de um espaço imaginário, que entra em comunicação com o universo dos outros, dos deuses, das pessoas que queremos seduzir.

O corpo é arrancado de seu espaço próprio e arremessado a um outro espaço. As vestimentas religiosas, por exemplo, fazem o indivíduo entrar no espaço cercado do sagrado, ou na comunhão da sociedade. Tudo o que toca no corpo, uniformes, diademas, faz florescerem as utopias internas do corpo.

E a carne nela mesma pode ser também utópica. Faz o corpo voltar-se contra si: o outro mundo, o contra-mundo, penetra nesse corpo, que se torna produto de seus fantasmas: o corpo de um dançarino, por exemplo, é um corpo dilatado pelo espaço –espaço que lhe é interior e exterior ao mesmo tempo. O corpo do mártir acolhe a dor e a salvação. O corpo de um drogado, de um possuído, de um estigmatizado, recebe em si o que lhe é exterior.

Bobagem dizer portanto, como fiz no início, que meu corpo nunca está em outro lugar. Meu corpo está sempre em outro lugar. Está ligado a todos os outros lugares do mundo, e está num outro lugar que é o além do mundo. É em relação ao corpo que existe uma esquerda e uma direita, um atrás e um na frente, um embaixo e um em cima.

O corpo está no centro do mundo, nódulo utópico a partir do qual penso, sonho, me comunico. O corpo, como a Cidade de Deus, não tem lugar, e é de lá que se irradiam todos os lugares possíveis.

Apenas o espelho e o cadáver selam e calam essa voragem utópica. Os dois estão num outro lugar impenetrável, mas nesse momento já não sou eu mesmo. Para que eu seja eu mesmo, no meu corpo, sem utopia, é preciso uma situação bem definida. Só o ato amoroso, quando nos entregamos a ele, acalma a utopia do nosso corpo: por isso é tão próximo, no imaginário, ao espelho e à morte. É porque só no amor o meu corpo está AQUI.

terça-feira, 26 de maio de 2009

Lei Antifumo Causa Furor no Estadão

Por partes.

Ontem, no Estadão, jornal de grande circulação no Brasil, um dos grandes brasileiros entre os dois existentes, publicou a matéria sobre como os bares da Vila Madalena vão lidar com a nova pegadinha do Nosferatu para controle do uso da substância legal e de alto custo pela população.

Sendo ou não fumante, você deve ter lido alguma coisa sobre essa nova lei que restringe o consumo em lugares fechados, proibindo os fumódromos, que por lei federal são legalizados, áreas de fumantes em bares e restaurantes, deixando como única alternativa para os viciados nesta substância 'suja' fumar na rua, desde que o pedaço onde esteja encostado livre dos olhares de reprovação seja descoberto.

Assim, os bares, temendo o futuro negro e sombrio que os aguarda, resolveram fazer uma campanha na qual façam com que o cliente 'doente' veja o quanto a nova lei 'amplia o acesso à saúde', segundo a advogada da ONG ACT, Adriana Pereira.

Enfim, depois de uma longa discussão idiota sobre como o fumante não sabe o quanto faz mal a si mesmo (ninguém nunca disserta sobre os benefícios de tal hábito, ou mesmo da possibilidade de já sabermos de todo mal e a opção por arcar com as consequências garantindo, pelo menos virtualmente, a nossa tão declarada liberdade individual, pregada como a marca deste lado ocidental da grande esfera azul).

Como não tenho acesso livre ao site, não tenho como comentar as notícias apresentadas naquelas páginas. E não pude me conter com tamanha ignorância de uma dos comentadores que, infelizmente, não lerá minhas palavras. Abaixo segue sua opinião acerca da nova lei:

'Fumantes Imbecis

Seg, 25/05/09 10:22 bubulicious, bubulicious@estadao.com.br

Todo fumante deveria ter a decencia de ir induzir esse vicio asqueroso bem longe de pessoas que prezam por sua saude e possuem um instinto de alto-preservacao. Eu nao quero correr o risco de perder minha visao ( degeneracao macular ) para que um patetico fracassado que acha que tem o "direito" de se drogar e induzir seu vicio nogento na minha presenca, possa faze-lo. Alem disso, a fumaca do fumo nos faz tossir, fere os olhos e simplesmente e fetida e eu nao quero cheirar como voce, ou seja, um cinzeiro. Outra coisa, se voce e fumante provavelmente sua filha adolescente tbem fuma e qquer garoto na escola dela sabe que se ela fuma, ela tbem se envolve em outros comportamentos de risco como o "Sexo". Mais um fato: Fumantes geralmente obteem resultados inferiores em teste de inteligencia basica do que nao-fumantes. Se voce tem funcionarios fumantes, voce nao esta obtendo eficiencia do trabalho e seu custo/beneficio esta desproporcional. O fumante com seus problemas de saude acaba te custando dobrado p/ manter.'

Agora vamos por partes, pq eu fui tentando grifar, mas parece que ficou o texto todo grifado. Vamos aos comentários:
1 - fumantes induzem ao vício - opa! se conseguimos induzir os mais privilegiados intelectualmente, é porque não somos assim tão 'inferiores em teste de inteligência básica', certo?
2 - Aqueles que prezam por sua saúde tem instinto de alto-preservação. Inteligência básica? Redundância eu não comento porque tenho vergonha. e alto? ou auto? hmmm. tá.
3 - 'perder minha visão (degeneracao macular)' - ô meu querido, dá uma abraço? Você sabia que a fumaça tóxica do lindo trânsito de São Paulo, que nenhum vampiro ainda teve a preocupação de repensar e controlar, apresenta uma fumaça não sei qts vezes mais tóxica do que a do meu cigarrinho? Cuidado com os caminhões para não sofrer degeneração macular!
4 - patetico fracassado que tem o direito de fumar. Hmmm...não sei se deixo meus hormônios tomarem conta do fluxo infinito de sinapses que ocorrem neste segundo dentro do meu cerébro ou se te chamo de babaca só e parto para a próxima. Mas vem cá! Você faz o que da vida, meu bem? Patético no mundo atual acho pouco para todos nós que todos os dias achamos que estamos construindo alguma coisa de valor numa sociedade que só nos castra e nos transforma em homens-massa. Repense seu argumento, querido bem-sucedido. Sobre o direito de fumar, sim, nós temos. Cigarro é uma substância legal e, qualquer indivíduo maior de 18 anos tem a liberdade de escolher se a consumirá ou não.
5 - Sobre o cheiro, devo admitir que é desagrável. Muito bem. Ponto para vc. Agora, você não precisa ficar colado em mim quando eu estiver fumando, nem segurar meu cancer stick, porque só assim você vai ficar impregnado pelo meu 'cheiro de cinzeiro', visto que você é uma pessoa de bem que não deve frequentar casas noturnas, os templos da perdição, e não sabe como a fumaça funciona lá dentro.
6 - Eu adoro essa parte: 'se voce e fumante provavelmente sua filha adolescente tbem fuma e qquer garoto na escola dela sabe que se ela fuma, ela tbem se envolve em outros comportamentos de risco como o "Sexo".' Gente, eu não sei como comentar essa parte, porque só rindo AHHAAHHAAHAHAHAHAHHAHAHAHAHA! O sexo é um comportamento de risco? O risco é ter um pai (não sei porque assumi que vc é um cara) e perder a oportunidade de conversar abertamente em casa evitando assumir um comportamento de risco por falta de informação. O que é sexo entre aspas?

Ai, cansei. Sobre a inferioridade intelectual eu comentei um bocado e as imagens abaixo falam mais do que mil palavras.











Em breve mais textos e intelectuais para você, querido bem-sucedido-livre-democrático-ocidental!
Leia a coluna de ontem na Folha de Felipe Pondé - Ilustrada. Eu poderia colocar o link aqui, mas não tenho acesso à área restrita.

segunda-feira, 11 de maio de 2009

Estreeeeeeeesse

Canseira, dor de cabeça, dor no corpo, eterno sono, impaciência, insegurança, carência...eu estou muito precisada de férias. Sabe, ficar deitadinha uma semana, sem fazer nada, num lugar calmo, tranquilo, com uma televisão, filminhos, chocolate, nenhuma forma de comunicação com o resto do mundo e a maior cama do universo, com almofadas, o colo mais gostoso do mundo e tudo à meia luz.

Deus!!! Não é muito, vai!

Não tô pedindo para ficar milionária, o que seria lindo, só queria um pouquinho de paz e sossego, para poder ficar numa boa e continuar a fazer minhas coisas. Aí, assim louca-estressada-cansada-trabalhativa, eu só consigo ficar esperando o fim - do ano, das aulas, do dia...esperando o final de semana, as férias, o final da graduação.

Me ajuda!! Canseira...tô me sentindo uma velha chata que só reclama. Mas até dor na coluna eu tive...pela primeira vez na minha vida. Estou quase esperando para ver se minhas costas travam e eu consigo na marra esse descanso necessário para a minha integridade física e psíquica.

Uma hora tem que ter 5 minutos! E eu preciso muito deles...AGORA!

sexta-feira, 24 de abril de 2009

Amanhecer

Apesar de toda a dor de acordar cedo, e que tenho passado todos os dias (menos às sextas) por causa do meu novo horário de obrigações e afazeres, sinto um prazer absurdo quando chego ainda antes do almoço em casa com tudo o que havia planejado cumprido.

Acordar com beijinhos doces e a preguiça maior do mundo, querendo alongar os curtos minutos que separam a cama quente do metrô lotado, do ônibus demorado, do frio meio abafado desses dias de outono. Esquecer de pentear o cabelo, sonhar acordada enquanto a cidade vai correndo debaixo e em cima da terra. Ter pesadelos também faz parte do processo 'acordado'. E achar um cantinho para ler algumas palavras em algum dos livros que escolho na hora, todos guardados dentro da minha mochila, também.

Aí aparece o mundo frio molhado da grande cidade universitária, seus papos chatos de corredor, suas pessoas perdidas, sonolentas. Aconchego as folhas xerocadas dentro do caderno e corro para a segunda obrigação. Até tentei fazer meu óculos hoje, mas a busca pelo óculos perfeito ficará para o final de semana, quiçá semana que vem. Tá difícil.

O caminho de volta para casa, descendo o morro da USP para o mundo real é feita por meio de respirações profundas ... todas de satisfação. Uma bobeira burguesa de dever cumprido, de trabalho concretizado, bem-feito, acabado. Achieved goals.

Assim, com essa tranquilidade, restou-me estudar um bucadim, responder e-mails, almocinho familiar e rumo à segunda parte do dia, na qual me encontro agora. Trabalho. Aguardo a terceira parte do dia...a definir.

quinta-feira, 23 de abril de 2009

Se você fosse um livro, qual seria?

Como de costume, quando estou entediada, quase dormindo na minha mesa, eu recorro ao uol, onde nunca acho nada mas sempre finjo que achei alguma coisa. Preciso passar o tempo e não tenho tido muita paciência com a grande teia. Então, no lugar de passar horas fuçando, eu entro dez minutinho no uol, olho a home e vou entrando nas bizarrices que podem estar destacadas.

Hoje, poucos minutos atrás, achei um teste - Se você fosse um livro nacional, qual seria?

As perguntas são bem ruins, as respostas que você tem que dar
também não ajudam muito. Mas aí eu vi o resultado e fiquei bastante feliz. (Coisa boba que sou)

Dá uma lida no resultado:

"A paixão segundo GH", de Clarice Lispector

Você é daqueles sujeitos profundos. Não que se acham profundos – profundos mesmo. Devido às maquinações constantes da sua cabecinha, ao longo do tempo você acumulou milhões de questionamentos. Hoje, em segundos, você é capaz de reconsiderar toda a sua existência. A visão de um objeto ou uma fala inocente de alguém às vezes desencadeiam viagens dilacerantes aos cantos mais obscuros de sua alma. Em geral, essa tendência introspectiva não faz de você uma pessoa fácil de se conviver. Aliás, você desperta até medo em algumas pessoas. Outras simplesmente não o conseguem entender.
Assim é também "A paixão segundo GH", obra-prima de Clarice Lispector amada-idolatrada por leitores intelectuais e existencialistas, mas, sejamos sinceros, que assusta a maioria. Essa possível repulsa, porém, nunca anulará um milésimo de sua força literária. O mesmo vale para você: agrada a poucos, mas tem uma força única.

Achei bonito. E vou ler o livro para ver se concordo com o resultado.
E viva o dia do livro (outra tirada do uol)!!