CLUBE DO CAMBA
UNE PART DE BONHEUR
terça-feira, 28 de fevereiro de 2012
quinta-feira, 23 de fevereiro de 2012
Midnight in Paris e a necessidade de digressão
Uma boa crítica ao filme do Woody Allen aqui, de Matheus Pichonelli.
'Não sei se vocês perceberam, mas a humanidade dá cada vez mais sinais de cansaço e preguiça. Não bastassem as tragédias que temos de engolir todos os dias sobre acidentes evitáveis, guerras desnecessárias, bombardeios intencionais e cinismos publicados em Diários Oficiais, ainda temos de conviver, a poucos metros, com as ninharias mais fúteis que o ser humano pode produzir.'
'Não sei se vocês perceberam, mas a humanidade dá cada vez mais sinais de cansaço e preguiça. Não bastassem as tragédias que temos de engolir todos os dias sobre acidentes evitáveis, guerras desnecessárias, bombardeios intencionais e cinismos publicados em Diários Oficiais, ainda temos de conviver, a poucos metros, com as ninharias mais fúteis que o ser humano pode produzir.'
Preparação para o Oscar - últimos passos
Faz muitos meses que assisti ao Midnight in Paris, mas, apesar de não lembrar de muitos detalhes que me impressionaram na ocasião, recordo bem do quanto o filme é divertido, crítico e sensível aos fãs de literatura. Paris fervia de gente produzindo na década de 1920. Hemingway estava lá a escrever Paris é uma festa e pedia ajuda sempre a Gertrude Stein, que não aconselhava somente a ele, mas a todos os conhecidos como geração perdida. Scott Fitzgerald e sua mulher Zelda também passeavam pelas ruas da cidade. Até Cole Porter, que vivia or lá a escrever suas canções como I Love Paris e muitas outras, toca nas festas que o americano do século XXI é convidado a participar todas as noites, à meia noite. Sonhos, frustração e alguém para dividir caminhadas na chuva que pacificam um coração cheio de desilusões. Gostei do filme por tudo, mas principalmente pela sutileza e pelo encantamento frente à arte.

Não foi o que senti e pensei quando assisti ao A Árvore da Vida. Achei um grande ppt com trilha sonora duvidosa. Sabe aqueles que você recebe por e-mail, com mensagens meio toscas, imagens lindas e uma música de doer a alma de ruim? Pois é. Achei completamente sem propósito a fase adulta do irmão carente e ressentido vivido pelo Sean Penn. E mais sem propósito ainda o encontro na praia, pés descalços, crianças felizes. Sem foco, sem história e sem poesia, ponto que foi clamado por uma gente. Não sei. Achei fraco e mal amarrado.

Não foi o mesmo sentimento quando vi em The Separation. Filme iraniano que nos faz pensar na produção cultural daquele país e no seu contexto político, social, religioso. É tudo tão contrastante e bonito. Não há música, mas tensão, angústia, incerteza. SonhosXMedo ou será SonhosXCompaixão? Boa maneira de pensar não só em mundos além-mar, mas em como lidamos com escolhas por esses lados também.

Extremely Loud and Incredibly Close, traduzido para Tão forte, tão perto, é a história de um garoto de 9 anos que perde o pai no 11 de setembro. Baseado no livro com mesmo nome, o filme apresenta o estrago e como e se é possível viver após uma tragédia desse tamanho. Oskar e seu pai inventavam jogos de investigação juntos e, no meio de uma das expedições, uma reunião de negócios no WTC acaba por levar seu pai para sempre. Alguns não gostaram do menino antipático, prepotente. Quem leu o livro sabe como Oskar lida com as situações, como ele é cheio de regras e como ele sofre em silêncio quando descobre uma chave no armário de seu pai e decide encontrar a fechadura para alongar seus momentos com ele. Nesse caminho, ele conhece um monte de gente, suas histórias, tem a chance de contar a sua, se investigar e encontrar sua mãe do outro lado, tentando mostrar a ele que ela também consegue investigar, criar mistérios e desvendá-los. Triste e sensível.

E Hugo. Ah! Sem dúvida meu preferido. Como já mencionado no post anterior, Hugo também fala sobre a história do cinema, como é importante preservá-la, sobre magia, criação de histórias, tecnologia e tudo mais. Fala sobre invenção, consertos e concertos do mundo. Tudo se passa dentro de uma estação de trem em Paris e Hugo é um menino que perdeu o pai e vive a tentar arrumar um autômato que ele encontrou no museu em que trabalhava. Roteiro bem amarradinho, emociona do começo ao fim por toda a delicadeza de se falar sobre arte, pessoas, amor, carinho, afeto e reconhecimento. A importância da história do cinema dentro do cinema. Eu torço por esse, sem dúvida.

Vi somente o começo do War Horse, do Spielberg e parei porque não estava mais suportando tanto clichê, tudo tão previsível. Aquelas tomadas abertas e a trilha sonora grandiosa. Não tive paciência para continuar a assistir. Deve ser bom para criança. Mas eu achei um pé no saco. Fora esse, ainda faltam The Descendents e The Help. O segundo eu vejo ainda hoje. O George Clooney talvez eu procure numa sala de cinema. Alguém?
Muito sucintamente, são minhas parcas impressões sobre cada filme que vi, ainda mais por falar sobre 3 (ou 5, no caso deste post) de uma vez só, não pensei que perderia a oportunidade de descrever mais, falar mais. Talvez seja isso mesmo que eu desejava quando comecei. Assim, você assiste livre do que eu poderia antecipar (demais) e depois a gente pensa mais juntos sobre todos esses filmes. Há muito a se falar de alguns deles e é preciso mais tempo e mais palavras para discuti-los. Bom(s) filme(s)!

Não foi o que senti e pensei quando assisti ao A Árvore da Vida. Achei um grande ppt com trilha sonora duvidosa. Sabe aqueles que você recebe por e-mail, com mensagens meio toscas, imagens lindas e uma música de doer a alma de ruim? Pois é. Achei completamente sem propósito a fase adulta do irmão carente e ressentido vivido pelo Sean Penn. E mais sem propósito ainda o encontro na praia, pés descalços, crianças felizes. Sem foco, sem história e sem poesia, ponto que foi clamado por uma gente. Não sei. Achei fraco e mal amarrado.

Não foi o mesmo sentimento quando vi em The Separation. Filme iraniano que nos faz pensar na produção cultural daquele país e no seu contexto político, social, religioso. É tudo tão contrastante e bonito. Não há música, mas tensão, angústia, incerteza. SonhosXMedo ou será SonhosXCompaixão? Boa maneira de pensar não só em mundos além-mar, mas em como lidamos com escolhas por esses lados também.

Extremely Loud and Incredibly Close, traduzido para Tão forte, tão perto, é a história de um garoto de 9 anos que perde o pai no 11 de setembro. Baseado no livro com mesmo nome, o filme apresenta o estrago e como e se é possível viver após uma tragédia desse tamanho. Oskar e seu pai inventavam jogos de investigação juntos e, no meio de uma das expedições, uma reunião de negócios no WTC acaba por levar seu pai para sempre. Alguns não gostaram do menino antipático, prepotente. Quem leu o livro sabe como Oskar lida com as situações, como ele é cheio de regras e como ele sofre em silêncio quando descobre uma chave no armário de seu pai e decide encontrar a fechadura para alongar seus momentos com ele. Nesse caminho, ele conhece um monte de gente, suas histórias, tem a chance de contar a sua, se investigar e encontrar sua mãe do outro lado, tentando mostrar a ele que ela também consegue investigar, criar mistérios e desvendá-los. Triste e sensível.
E Hugo. Ah! Sem dúvida meu preferido. Como já mencionado no post anterior, Hugo também fala sobre a história do cinema, como é importante preservá-la, sobre magia, criação de histórias, tecnologia e tudo mais. Fala sobre invenção, consertos e concertos do mundo. Tudo se passa dentro de uma estação de trem em Paris e Hugo é um menino que perdeu o pai e vive a tentar arrumar um autômato que ele encontrou no museu em que trabalhava. Roteiro bem amarradinho, emociona do começo ao fim por toda a delicadeza de se falar sobre arte, pessoas, amor, carinho, afeto e reconhecimento. A importância da história do cinema dentro do cinema. Eu torço por esse, sem dúvida.

Vi somente o começo do War Horse, do Spielberg e parei porque não estava mais suportando tanto clichê, tudo tão previsível. Aquelas tomadas abertas e a trilha sonora grandiosa. Não tive paciência para continuar a assistir. Deve ser bom para criança. Mas eu achei um pé no saco. Fora esse, ainda faltam The Descendents e The Help. O segundo eu vejo ainda hoje. O George Clooney talvez eu procure numa sala de cinema. Alguém?
Muito sucintamente, são minhas parcas impressões sobre cada filme que vi, ainda mais por falar sobre 3 (ou 5, no caso deste post) de uma vez só, não pensei que perderia a oportunidade de descrever mais, falar mais. Talvez seja isso mesmo que eu desejava quando comecei. Assim, você assiste livre do que eu poderia antecipar (demais) e depois a gente pensa mais juntos sobre todos esses filmes. Há muito a se falar de alguns deles e é preciso mais tempo e mais palavras para discuti-los. Bom(s) filme(s)!
quarta-feira, 22 de fevereiro de 2012
Oscar no Carnaval
Estava calor. Sim. E muito. 'Pular' o carnaval no interior, cidade natal e casa de Paulo, no sertão de São Paulo. SoroHell! Soroheaven! A casa de campo que todo mundo sonha. Aquela que tem um sofá ou cama perto da janela, de onde, deitados, vocês podem ver o céu. Final de tarde razoavelmente quente, mas com vento e talvez uma chuva rápida para refrescar a sessão de cinema que vocês prepararam em casa, na cama, ou que vão enfrentar no novo minishopping pertinho de lá. Aquele em frente à praça, perto do coreto, do lado do restaurante árabe que realmente traz delícias do oriente. Casa de campo cheia de frutas, com samba na outra sala, carinho e as melhores conversas e o por do sol alaranjado visto lá do alto.
E estivemos também em tardes na piscina e compartilhamos a experiência do convescote interiorano, o afamado churrasco. Pão de queijo tarde da noite, sorvetes e tudo devidamente controlado pela eterna vigilância do meu peso.
Fora o amor e o calor, o feriado se concentrou no Oscar. Novamente tomada pela magia do cinema e pela obsessão de assistir a todos os indicados pelo menos para melhor filme até domingo, controlei cada passo cinematográfico para que pudéssemos avançar na enorme (não parece, mas é) lista de 9 concorrentes.
Começamos com The Artist, The Iron Lady e parte do Moneyball. O primeiro me atraiu pela simplicidade, pela nostalgia, pelo trabalho bem-feito de atores que devem se expressar sem palavras. O filme mudo trabalha excessos para compensar a falta dos diálogos. E nunca se sentiu falta deles nessas obras. O Artista tenta mostrar a importância que esses filmes tiveram para a história da sétima arte. Com 10 indicações ao Oscar, parece que a academia esperava que o foco se distanciasse um pouco dos efeitos especiais/tecnologia e se aproximasse mais da história. Ou como disse Scorcese, diretor de outro filme que discorre sobre o mesmo tema e que também concorre nessa categoria, o cinema antes tinha um significado para a sociedade.

The Iron Lady me incomodou um pouco. A Meryl Streep está ótima, como sempre. Espara-se que ela ganhe o pequeno homem dourado. Tem a Glenn maravilhosa no papel da mulher que se trasveste de homem e chega na meia idade sem saber mais ao certo quem é. Também incrível, dizem. Mas a Margaret tá coisa de louco. O problema é que eu fiquei com a impressão que o filme diz 'não fosse o marido rico, uma das mulheres mais importantes do século passado, por mais que a gente a deteste, não chegaria onde chegou.' Sabe? Então. Idosa e com problemas para deixar o marido morto partir rumo à luz, ela recorda seus feitos durante a década que governou a Inglaterra. Talvez seja coisa da minha cabeça, mas é bom prestar atenção. As inserções do marido querido, por mais românticas em alguns casos, pareceram-me pouco inocentes. Claro que, quando a dama entrou para a política, ainda mais sendo filha de comerciante, não tivesse casado com o moço rico e bem formado academicamente, teria mais dificuldade para entrar nesse mundo fechado. Mas...não sei se gostei do foco.

Moneyball é um filme basicamente sobre baseball. Brad Pitt, indicado a melhor ator, vive Billy Beane, gerente de um time sem muito dinheiro que mudou a forma de ver o esporte a partir de técnicas de probabilidade e ranking. É melhor você assistir para entender. Mas o lance é o seguinte. O baseball é do mais injustos esportes americanos. Não há teto salarial e quem pagar mais leva o melhor jogador. Você vai dizer que o mundo é assim, mas o Football e mesmo o Basketball não vivem dessa maneira. Há um sistema que garante que todos os times tenham a mesma chance de contratar astros e rechear seu grupo com os melhores. No basebaal, essas regras não existem. Com um time pobrinho perdendo astros, Billy encontra um economista que o ajuda a criar uma outra maneira de procurar 'estrelas'. E o filme é sobre essa incrível descoberta. Bonito. Interessante. Se você tiver interesse sobre baseball ou se quiser ver o Brad Pitt bonitão e mau humorado. Eu tive por meio filme. Quem sabe ainda dou mais uma chance à outra metade.

Ainda fiquei com The Separation, Hugo e Extremely Loud and Incredibly Close, temas do próximo post. E Midnight in Paris já tinha sido muito bem aproveitado numa sala de cinema, assim como The Tree of Life, não tão bem aproveitado. Ou melhor dizendo, horas não tão bem aproveitadas.
Continuo em texto separado para não cansar seus olhos, caro leitor. Ainda mais com o fim do carnaval, o início oficial do ano, das aulas, do trabalho, dos estudos e das resoluções de ano novo (lembre-se que são somente duas).
Voltar de Sorocaba na quarta de cinzas, deixar a casa de campo, o coisinho e o cinema improvisado no quarto já tem gosto de saudade. Mas também é uma ótima maneira de começar um ano olhando para o céu, procurando mais desse por do sol alaranjado e esperar a chuva para refrescar.
E estivemos também em tardes na piscina e compartilhamos a experiência do convescote interiorano, o afamado churrasco. Pão de queijo tarde da noite, sorvetes e tudo devidamente controlado pela eterna vigilância do meu peso.
Fora o amor e o calor, o feriado se concentrou no Oscar. Novamente tomada pela magia do cinema e pela obsessão de assistir a todos os indicados pelo menos para melhor filme até domingo, controlei cada passo cinematográfico para que pudéssemos avançar na enorme (não parece, mas é) lista de 9 concorrentes.
Começamos com The Artist, The Iron Lady e parte do Moneyball. O primeiro me atraiu pela simplicidade, pela nostalgia, pelo trabalho bem-feito de atores que devem se expressar sem palavras. O filme mudo trabalha excessos para compensar a falta dos diálogos. E nunca se sentiu falta deles nessas obras. O Artista tenta mostrar a importância que esses filmes tiveram para a história da sétima arte. Com 10 indicações ao Oscar, parece que a academia esperava que o foco se distanciasse um pouco dos efeitos especiais/tecnologia e se aproximasse mais da história. Ou como disse Scorcese, diretor de outro filme que discorre sobre o mesmo tema e que também concorre nessa categoria, o cinema antes tinha um significado para a sociedade.

The Iron Lady me incomodou um pouco. A Meryl Streep está ótima, como sempre. Espara-se que ela ganhe o pequeno homem dourado. Tem a Glenn maravilhosa no papel da mulher que se trasveste de homem e chega na meia idade sem saber mais ao certo quem é. Também incrível, dizem. Mas a Margaret tá coisa de louco. O problema é que eu fiquei com a impressão que o filme diz 'não fosse o marido rico, uma das mulheres mais importantes do século passado, por mais que a gente a deteste, não chegaria onde chegou.' Sabe? Então. Idosa e com problemas para deixar o marido morto partir rumo à luz, ela recorda seus feitos durante a década que governou a Inglaterra. Talvez seja coisa da minha cabeça, mas é bom prestar atenção. As inserções do marido querido, por mais românticas em alguns casos, pareceram-me pouco inocentes. Claro que, quando a dama entrou para a política, ainda mais sendo filha de comerciante, não tivesse casado com o moço rico e bem formado academicamente, teria mais dificuldade para entrar nesse mundo fechado. Mas...não sei se gostei do foco.

Moneyball é um filme basicamente sobre baseball. Brad Pitt, indicado a melhor ator, vive Billy Beane, gerente de um time sem muito dinheiro que mudou a forma de ver o esporte a partir de técnicas de probabilidade e ranking. É melhor você assistir para entender. Mas o lance é o seguinte. O baseball é do mais injustos esportes americanos. Não há teto salarial e quem pagar mais leva o melhor jogador. Você vai dizer que o mundo é assim, mas o Football e mesmo o Basketball não vivem dessa maneira. Há um sistema que garante que todos os times tenham a mesma chance de contratar astros e rechear seu grupo com os melhores. No basebaal, essas regras não existem. Com um time pobrinho perdendo astros, Billy encontra um economista que o ajuda a criar uma outra maneira de procurar 'estrelas'. E o filme é sobre essa incrível descoberta. Bonito. Interessante. Se você tiver interesse sobre baseball ou se quiser ver o Brad Pitt bonitão e mau humorado. Eu tive por meio filme. Quem sabe ainda dou mais uma chance à outra metade.

Ainda fiquei com The Separation, Hugo e Extremely Loud and Incredibly Close, temas do próximo post. E Midnight in Paris já tinha sido muito bem aproveitado numa sala de cinema, assim como The Tree of Life, não tão bem aproveitado. Ou melhor dizendo, horas não tão bem aproveitadas.
Continuo em texto separado para não cansar seus olhos, caro leitor. Ainda mais com o fim do carnaval, o início oficial do ano, das aulas, do trabalho, dos estudos e das resoluções de ano novo (lembre-se que são somente duas).
Voltar de Sorocaba na quarta de cinzas, deixar a casa de campo, o coisinho e o cinema improvisado no quarto já tem gosto de saudade. Mas também é uma ótima maneira de começar um ano olhando para o céu, procurando mais desse por do sol alaranjado e esperar a chuva para refrescar.
quarta-feira, 15 de fevereiro de 2012
Carnaval na Casa Verde
Vem menina linda
Vem pro samba, vem sambar (BIS)
Me faz um chamego que o céu pode esperar
Domingo chuvoso em São Paulo e a promessa de um churrasco de aniversário meio molhado. Ao virar a esquina da Bras Leme para adentrar a rua na qual passaríamos a tarde (e um bom pedaço da noite), um bloco com um generoso grupo de foliões (palavra que eu abomino, mas sempre quis usar. Chegou o momento.) descia a rua, pelo meio da rua, e convidava o povo que assistia, postado às suas margens, a pular para dentro e sair atrás do carro de som, com a pequena bateria a se chacoalhar até não nos foi informado onde.
Surge em Maio de setenta e cinco
A saga de um samba pé no chão
Nasce lá no morro e desce a serra
Hoje fonte de inspiração
Toda Zona Norte faz folia
E vem desfilar no carnaval
Meu querido bloco faz a festa (BIS)
Em tom dobrado vou cantar em alto astral
A chuva um pouco mais calma, um celular tirador de fotos a postos e corpinho começando a se balançar com a agitação, não tivemos outra opção senão entrar debaixo do sovaco da cobra e começar o Carnaval uma semana antes de maneira bastante paulistana.

Engraçado como esse impulso carnavalesco nunca apareceu enquanto morava em Salvador (aliás, cheguei na cidade na semana do carnaval) e nem mesmo pela terra da garoa até que, alguns carnavais atrás, fui introduzia à arte de sarapendiar pelas ruas da saudosa e afamada São Luís do Paraitinga, que sofreu com chuvas anos passados, se recupera bem e já recebeu alta para curtir a festa com um número controlado e reduzido de visitantes.
Foi lá que eu vi, pela primeira vez na história desse país, um carnaval interessante e realmente divertido, longe do axé e de todas essas porcarias que nos obrigam a ouvir nessa semana que normalmente cai em fevereiro. Foi lá que eu entendi o quanto era gostoso o verão, o pula-pula e a bebedeira que acabavam em uma semana de cama e muitas risadas.
Mas, depois que a cidade sofreu esse acidente grave, curti esse feriado de formas variadas - praia, interior e não me lembro bem mais o quê. Por esses anos todos, nenhuma marchinha tinha me levado a me balançar, a não ser em lembranças. Em nenhum momento tive vontade de sair atrás do trio elétrico. Domingo me deu vontade de pegar uma garrafinha de pinga com mel, botar os óculos escuros e pular até o próximo bloco aprendendo a música de cada um deles.
Veja só:

E Paulo sem se aguentar, foi indo embora com o bloco:

Esse ano, os planos se concentram no Oscar. Mas esse assunto é tema de outro post, menos pulativo. Mas, quem sabe, aparece alguma coisa similar novamente e a gente se joga pelas ruas a dançar!
Vem pro samba, vem sambar (BIS)
Me faz um chamego que o céu pode esperar
Domingo chuvoso em São Paulo e a promessa de um churrasco de aniversário meio molhado. Ao virar a esquina da Bras Leme para adentrar a rua na qual passaríamos a tarde (e um bom pedaço da noite), um bloco com um generoso grupo de foliões (palavra que eu abomino, mas sempre quis usar. Chegou o momento.) descia a rua, pelo meio da rua, e convidava o povo que assistia, postado às suas margens, a pular para dentro e sair atrás do carro de som, com a pequena bateria a se chacoalhar até não nos foi informado onde.
Surge em Maio de setenta e cinco
A saga de um samba pé no chão
Nasce lá no morro e desce a serra
Hoje fonte de inspiração
Toda Zona Norte faz folia
E vem desfilar no carnaval
Meu querido bloco faz a festa (BIS)
Em tom dobrado vou cantar em alto astral
A chuva um pouco mais calma, um celular tirador de fotos a postos e corpinho começando a se balançar com a agitação, não tivemos outra opção senão entrar debaixo do sovaco da cobra e começar o Carnaval uma semana antes de maneira bastante paulistana.

Engraçado como esse impulso carnavalesco nunca apareceu enquanto morava em Salvador (aliás, cheguei na cidade na semana do carnaval) e nem mesmo pela terra da garoa até que, alguns carnavais atrás, fui introduzia à arte de sarapendiar pelas ruas da saudosa e afamada São Luís do Paraitinga, que sofreu com chuvas anos passados, se recupera bem e já recebeu alta para curtir a festa com um número controlado e reduzido de visitantes.
Foi lá que eu vi, pela primeira vez na história desse país, um carnaval interessante e realmente divertido, longe do axé e de todas essas porcarias que nos obrigam a ouvir nessa semana que normalmente cai em fevereiro. Foi lá que eu entendi o quanto era gostoso o verão, o pula-pula e a bebedeira que acabavam em uma semana de cama e muitas risadas.
Mas, depois que a cidade sofreu esse acidente grave, curti esse feriado de formas variadas - praia, interior e não me lembro bem mais o quê. Por esses anos todos, nenhuma marchinha tinha me levado a me balançar, a não ser em lembranças. Em nenhum momento tive vontade de sair atrás do trio elétrico. Domingo me deu vontade de pegar uma garrafinha de pinga com mel, botar os óculos escuros e pular até o próximo bloco aprendendo a música de cada um deles.
Veja só:

E Paulo sem se aguentar, foi indo embora com o bloco:

Esse ano, os planos se concentram no Oscar. Mas esse assunto é tema de outro post, menos pulativo. Mas, quem sabe, aparece alguma coisa similar novamente e a gente se joga pelas ruas a dançar!
segunda-feira, 13 de fevereiro de 2012
Toma lá procêis
Dois homens laçavam um banquinho de bar no meio da rua, no meio da cidade.
Saída estratégica de uma festa de família para comprar cigarros e um encontro inusitado nas ruas interioranas.
- O segredo é manter o braço esticado, - sugeria Juscelino.
- Falta os chifre. Não é para laçar o boi inteiro, só os chifre. Pega lá uns dois prego para nóis colocar no banco e poder praticar. Só os chifre. Pega lá, Cardoso. E mais uma.
- Me ensina a laçar?
Em poucos minutos, ele fora levado para o meio da rua, laço em mãos e vontade de conhecer gente e encantamento brilhando pelos seus olhos atentos.
Os poucos homens que não se embrenhavam na aventura de ensinar o menino a quem chamavam Barba a arte do mundo boiadeiro ciceroneavam a moça que observava com sorrisos por todo o corpo.
- Cavalo acaba com casamento. - Ela sorria em meio a tantas histórias. - Aquela moça de blusa vermelha expulsou o marido de casa. Caminhoneiro, ia com a gente para os rodeios e competições. Tinha um cavalo também. Vendeu tudo para não perder a mulher.
- Minha mulher tem alergia a cavalo. Dá para acreditar?
- Mundo irônico, né, João?
- Quê? É maldade mesmo com a gente. Eu chego em casa agora, assim, tiro toda a roupa na lavanderia...a gente tem uma casona bonita...e subo só de cueca. Vai que eu mato ela, né? - e gargalhava enquanto enchia mais os copos de cerveja.
Enquanto se aliviava no banheiro de todo o calor que consumia todo o esforço que despendeu para arrumar o cabelo de manhã, eles aprontavam uma surpresa lá fora. Na calçada, dois pedaços de pele de carneiro. Como se fossem as visitas mais importantes ou esperadas dos últimos tempos, além das promessas de jantares na pequena garagem que abrigava o bar, ofereciam o presente que os faria perceber que dar atenção às pessoas parece coisa de outro mundo.
Abraços que talvez poucos dos próximos amigos têm a oferecer, os estranhos novos companheiros agradavam e cuidavam do casal que passou e parou para ver quem eles eram. Coisa comum. Coisa natural. Ou nem tanto assim. Ver o outro é se reconhecer, dar chance de se conhecer. E perdemos centenas de oportunidades como essa todos os dias.
Medo ou falta de curiosidade?
Saída estratégica de uma festa de família para comprar cigarros e um encontro inusitado nas ruas interioranas.
- O segredo é manter o braço esticado, - sugeria Juscelino.
- Falta os chifre. Não é para laçar o boi inteiro, só os chifre. Pega lá uns dois prego para nóis colocar no banco e poder praticar. Só os chifre. Pega lá, Cardoso. E mais uma.
- Me ensina a laçar?
Em poucos minutos, ele fora levado para o meio da rua, laço em mãos e vontade de conhecer gente e encantamento brilhando pelos seus olhos atentos.
Os poucos homens que não se embrenhavam na aventura de ensinar o menino a quem chamavam Barba a arte do mundo boiadeiro ciceroneavam a moça que observava com sorrisos por todo o corpo.
- Cavalo acaba com casamento. - Ela sorria em meio a tantas histórias. - Aquela moça de blusa vermelha expulsou o marido de casa. Caminhoneiro, ia com a gente para os rodeios e competições. Tinha um cavalo também. Vendeu tudo para não perder a mulher.
- Minha mulher tem alergia a cavalo. Dá para acreditar?
- Mundo irônico, né, João?
- Quê? É maldade mesmo com a gente. Eu chego em casa agora, assim, tiro toda a roupa na lavanderia...a gente tem uma casona bonita...e subo só de cueca. Vai que eu mato ela, né? - e gargalhava enquanto enchia mais os copos de cerveja.
Enquanto se aliviava no banheiro de todo o calor que consumia todo o esforço que despendeu para arrumar o cabelo de manhã, eles aprontavam uma surpresa lá fora. Na calçada, dois pedaços de pele de carneiro. Como se fossem as visitas mais importantes ou esperadas dos últimos tempos, além das promessas de jantares na pequena garagem que abrigava o bar, ofereciam o presente que os faria perceber que dar atenção às pessoas parece coisa de outro mundo.
Abraços que talvez poucos dos próximos amigos têm a oferecer, os estranhos novos companheiros agradavam e cuidavam do casal que passou e parou para ver quem eles eram. Coisa comum. Coisa natural. Ou nem tanto assim. Ver o outro é se reconhecer, dar chance de se conhecer. E perdemos centenas de oportunidades como essa todos os dias.
Medo ou falta de curiosidade?
sábado, 11 de fevereiro de 2012
quinta-feira, 9 de fevereiro de 2012
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