segunda-feira, 3 de abril de 2017

A Warrior's Journey

Part I

My name is Mharyna Meeglyasci. My mother’s name is Mercya and we are descendents from a long ancestry of brave and strong women with names starting with the letter M. My family owns a land in a far region of the country called Buteanteas, meaning The world inhabited by snakes, and life has been undisturbed characterized by a alienated dogmatic dream, as my male companion would say.

Yet, the past few months, the tedious day to day was suspended and mistaken decisions made have had a huge impact in every laborer in these south lands. Not pious ealdormen in the kingdom revengefully took away some of long established rights so many warriors had accomplished in battle. Our arm rings were all lost, hopelessly. Treachery in the nightfall. The swamps were all taken by darkness and desilusion.

The morning light reached my tired eyes and duty woke me up. I saw myself abandoned by my lover Pauelis Walnut who had long left for hunting down the enemies of his Lord Lineasis Roger to whom he was attached by an oath but tempted to abandon him to his own luck. I  cowardly walked out of the bed and left the furs trapped all over my baby beasts’ bodies. I dragged my legs to the latrine in front of the bedroom and unleashed in there the remains of the night before. Ale, mead, loafs of bread and slices of despair, astonishment and desperation.

The car was set in front of the old market and I accommodated my laziness in it while people struggled to pass through its door in search of a seat to take blessed minutes of rest. The day was warm enough to make me feel unwelcomed to the world and awake the disturbance of the inflicted sickness that took my inwards. Slowly, the car moved towards the monastery where my pupils waited for my assistance and my desires were left behind safeguarded by my dearest animals, at least, I wished so.

The distance was decreased by the marvelous landscapes visible through the windows and the fatigue gently set my body almost free. Crossing the river, the magnanimous building in which my day would be consumed set itself and the glimpse of some priests carrying their books had marked the horizon. I couldn’t help but wonder if those priests were aware of how screwed we all suddenly became and if by ignoring this fact their faith would present a believable way out.

quarta-feira, 4 de janeiro de 2017

O Caçador de Libélulas

Estou há 40 anos aqui e a cidade virou minha casa. Mas há sempre aquela sensação de não pertencer. O negócio é que não pertenço nem mais a Santiago nem a esta cidade em que vivo já mais do que vivi na outra. É como estar para sempre à margem, sempre sem porto, à deriva. Engraçado que a procura pela sensação de casa, de reconhecimento nunca se perde, nunca se desfaz. Há 40 anos, portanto, procuro meu lugar, e agora, aos 70, imagino que esse lugar seja dentro de cada um de meus desenhos.
Esse em suas mãos se chama Recuerdos de Mi Infancia e apesar de não ser essa a memória representada plasticamente na folha, ela me remete às tardes de verão quando meus amigos e eu passávamos sentados em frente a uma farmácia. Nós comprávamos melancias e fazíamos a maior sujeira em seus degraus e deixávamos seu Nestor uma fera por atrapalharmos sua sagrada sesta.
Um dia, o velho farmacêutico nos fez uma proposta. Precisaria de uma centena de cabeças de libélulas para a fabricação de um remédio. O engenhoso Sebastián usou um dos nossos brinquedos, aquele que gira e faz barulho...isso, reco-reco, para atrair as libélulas e muito rapidamente juntamos a encomenda para voltar à farmácia. Havia um prêmio, saquinhos de sal de frutas para misturar no refrigerante e fingir ser espumante.
Muito bem, agora seu Nestor precisava das cabeças por tamanho. A gente se sentia importante ajudando na fabricação de tão necessário medicamento. Três baldes, um com cabeças pequenas, um com médias e um cheio de cabeças grandes. Por esse pedido, além do sal de frutas nós também ganharíamos um centavo por matéria-prima.
Lá fomos nós, um grupo de meia dúzia de meninos sedentos pelo prestígio de participar de um projeto para salvar vidas e comemorar na praça com bebidas borbulhantes. Não demoramos muito e lá estávamos em frente à pequena farmácia com os baldes cheios de nossas vítimas sacrificadas por um bem maior.
Era tempo, imagino eu. Havia um engajamento para criar algo e não apenas açoitar a criançada debaixo de reclamações. Não consigo imaginar essa paciência para com os jovens hoje porque me parece haver uma pressa de se livrar do que chamam de problema, uma repulsa pela convivência com novas gerações. Claro que não sou nem ingênuo nem saudosista a ponto de dizer que havia essa celebração geracional. Havia conflito. E também imagino que isso continue acontecendo por aí. Sempre há Nestores pelo mundo. Se há um reconhecimento neste corpo velho é esse, de me aconchegar na ideia de ser como ele, alguém criativo para lidar com as pessoas, aberto para descobrir novos caminhos e feliz em oferecer a sensação de importância àqueles que cruzarem o meu caminho, que pararem em frente ao meu estabelecimento, minha banca de desenhos.
Meu nome é Wasard e foi um prazer conhecê-los. Esse desenho é um presente para vocês em agradecimento a essa conversa que me fez viajar longe, me fez voltar ao lugar onde uma vez chamei de lar.

Montevidéu, Julho/2016