segunda-feira, 10 de dezembro de 2007

A Pedra do Reino


Nobres senhores e belas damas,

A peça dirigida por Antunes Filho e encenada pelo Grupo Macunaíma de Teatro de São Paulo no Teatro Anchieta – Sesc Consolação, é uma adaptação d’O Romance d'A Pedra do Reino e o Príncipe do Sangue do Vai-e-Volta e História do Rei Degolado nas Caatingas do Sertão: ao Sol da Onça Caetana, do paraibano Ariano Suassuna.

Cinco minutos para o início do espetáculo e as luzes se apagam. A campainha toca alto e a iluminação torna-se alaranjada com fundo meio amarelado. Um jovem ator – Lee Thalor - chega ao canto direito do palco munido de uma pequena mala, um pedaço de uma grade e um banquinho. Ouve-se ao fundo marcha e apitos e o ator começa a ser perseguido por um grupo organizado de policiais. É preso. Senta-se no pequeno banquinho, arruma sua maleta no chão e agarra-se ao pedaço da grade como em uma prisão.

Assim começa a narrativa da história de D. Pedro Diniz Guaderna, um sertanejo de Taperoá que havia sido preso acusado de subversão durante o Estado Novo – autor de uma obra tida como subversiva, seu memorial, apresenta um ideal de sociedade longe dos padrões estabelecidos pelo Estado. Sua visão aproxima-se de um sebastianismo português e louva a tentativa de Antonio Conselheiro em Canudos. Proclama-se herdeiro dos verdadeiros reis – mulatos – do Brasil (daí seu título de Dom).

Guaderna, no tribunal, respondendo às acusações feitas contra ele, faz sua própria defesa perante o corregedor e, para tanto, conta a história de sua família, das desavenças, das lutas e das controvérsias políticas, literárias e filosóficas em que se vira envolvido. Os Dantas, os Pessoa, os integralistas, os esquerdistas, os partidários do azul e os do encarnado: todos fazem parte dessa história. Assim como os coronéis e a Revolução de 1930, a Guerra de 1912, a Coluna Prestes, o cangaço e a Era Vargas, momentos históricos do país que Antunes Filho aliou à representação do mundo fantasioso descrito por Quaderna.

A Pedra do reino é uma representação física deste mundo idealizado pelo personagem principal. Sua construção é uma reflexão sobre a realidade sertaneja em contexto reprimido social e politicamente, além de ser uma reflexão sobre a concepção de uma obra de arte crítica em relação a si mesma, fazendo a metalinguagem da formulação da peça de teatro, o que também funciona na leitura da obra de Ariano Suassuna – a metalinguagem da formulação da trama de sua narrativa.

Apresentação simples, cenografia limitada às luzes e à presença de personagens e poucos objetos, como numa brincadeira de criança, ‘A Pedra do Reino’ representa a mitologia do sertão brasileiro de forma lúdica e encantada.

Um comentário:

Rô disse...

Vc fala difícil, né! Bonito, né! hehehehe
Adorei dar gargalhadas com você durante a peça, maninha!
Vale à pena repetir em outra ocasião!
bjim!