segunda-feira, 17 de setembro de 2007

Sexta-feira


Fomos apresentados numa noite de fria sexta-feira de agosto. Ex-estranhos colegas de trabalho e vizinhos ignorantes de faculdade, nos conhecemo em frente à biblioteca num banco frio envoltos pela fumaça leve de cigarros aguardados ansiosamente.

Seguimos caminhos opostos que nos guiaram ao mesmo ponto - um bar perifa ao som de MPB, dividindo copos de cerveja numa outra sexta-feira fria do mesmo agosto.

Leves encontros fingidos ocasionais, breves conversas esfumaçadas, distraídos contatos visuais e corporais. Vivíamos uma distância disfarçada. Havia sempre um algo mais a esconder, a esperar, a ansiar.

Estreitamos vagarosamente os laços virtualmente e, aos poucos, ou, na verdade, bem rapidamente, começamos a nos estreitar. E, na mesma velocidade, o contato entre aqueles e estes olhos começaram a faltar.

Decalrações por e-mail, conversas adiadas e outra sexta-feira, agora fria por causa de um ar-condiconado de uma balada escondida nesta cidade suja - uma explosão daquilo que foi ansiado e desejado.

Hoje em dia não nos vemos mais. Não pessoalmente e nem tão pouco virtualmente. Mas o vejo sempre que quero e que não quero, na memória que insiste em me atormentar.

Apesar da história bonita, porém patética, não há muito mais a que esperar.

-texto encontrado (começado) em uma folha de algum caderno perdido nas pratelerias repletas de histórias, e terminado no mesmo banco daquela primeira sexta-feira daquele distante agosto.

2 comentários:

Mariazinha: disse...

Sim, a história é bonita, mas nem um pouco patética.
Você sabe que eu tenho uma ótima noção sobre oq vc sente né...
Bom, a nós, o consolo do velho amigo, o tempo, e do novo amigo, o blog.

Beeeijo!
;)

Mari Migliacci disse...

eu já escrevi tanto usando esse acontecimento como inspiração...
os textos me parecem tão doloridos assim no passado - o presente me acalma. a paciência e o tempo.
e o blog, q recebeu inúmeros desabafos.