sexta-feira, 15 de fevereiro de 2008

Soluços e Lágrimas

Clara deitou-se sozinha. Deitou-se para pensar, para lembrar. Deitou-se sozinha para dormir.

Seus olhos verdes a buscavam longe. Clara procurava segurança no maço de cigarros. Acendia um cigarro em meio a uma escuridão de decisões. Fixava seus olhos castanhos e tentava se decidir na postura resolvida de quem não sabe o que fazer enquanto traga e olha.

Bento vinha agora em sua direção. Apreensivamente, mas com o sorriso mais aberto do universo todo estrelado. Ele se segurava enquanto apressava-se para estar mais perto dela. Ela fumava...sugava o cigarro em duas tragadas e jogavas bitucas no canto da calçada.

O abraço demorado, quente. Sentaram-se no chão de uma sala meio escura, com as janelas tapadas por um tecido colorido, escuro - púrpura. Encostaram na parede e mediam-se e a seus pensamentos pela profundidade do silêncio que dizia tanto na conversa de bocas fechadas.

De olhos baixos, as mãos procurando as de Clara. Ela, abraçando-o em seus devaneios, procurava o olhar que a fazia sonhar. Algumas lágrimas escorriam no rosto claro de Bento, e ela o colocava no colo, acomodando sua cabeça em seu peito. Suas mãos afundavam-se nos cabelo molhados de suor.

Depois de longas lágrimas e soluços, ele adormeceu em seus braços. Clara agora procurava na noite de suas elucubrações os raios de sol que manteriam Bento aconchegado.

Acordou sozinha. Sozinha para se levantar, para trabalhar, para pensar e lembrar dele.